Lasciate ogni speranza…

José Horta Manzano

Inferno de Dante by Salvador Dalí (1904-1989), Marquês de Dalí de Púbol

Inferno de Dante
by Salvador Dalí (1904-1989),
Marquês de Dalí de Púbol

Muitos têm a nítida sensação de que o País mergulha, cada dia mais fundo, num lamaçal espesso. O líquido visguento abraça todos os viventes, reboca todas as coisas, tolda a visão, baralha as ideias e embaça o discernimento.

Muitos acham que era preferível viver num país mais pobrezinho do que num atoleiro rico mas inglório. «Somos pobres, mas honrados!» – é divisa que deixou de fazer sentido.

Muitos sentem saudade de um tempo em que, embora andássemos a pé, íamos na certeza de chegar ao destino sãos e salvos. Sequer nos passava pela cabeça que algum perigo nos rodeasse.

Muitos lembram com nostalgia o tempo em que vaga em escola pública era valorizada e disputada. Pode parecer exagero para os que não conheceram aqueles tempos, mas é verdade: em certos estabelecimentos públicos de maior prestígio, só entrava quem dispusesse de um bom pistolão – hoje diríamos recomendação ou «Q.I.».

Alguns ainda se recordam que político de alto coturno podia ser processado e condenado por ter-se apoderado de objeto pertencente ao patrimônio público. Um caso retumbante envolveu Adhemar de Barros, destacada figura política dos anos 40 e 50. O figurão foi um dia processado por ter levado pra casa um pote de barro, no episódio que passou à história como o da urna marajoara.

Sem admitir abertamente, muita gente deposita numa intervenção militar suas últimas esperanças de tirar o País do charco em que se afunda a cada dia. Dá pra entender. Nós, contribuintes ignaros, estamos descobrindo os capítulos de tenebrosa novela que nos dá detalhes de como a maior empresa do Brasil foi saqueada por uma camarilha de cidadãos da elite que habita o andar de cima. Pior, mesmo, é saber que tudo isso terminará em nada. Alguém duvida?

Sem admitir abertamente, muita gente deposita numa intervenção militar a última esperança de arrancar o País do atoleiro. Que percam toda fantasia, que abandonem toda ilusão. Tudo indica que os uniformizados continuarão no banco de reservas, timoratos e paralisados.

Inferno de Dante - Mosaico do Batistério de Florença

Inferno de Dante – Mosaico do Batistério de Florença

Como é que eu sei? Transcrevo aqui o ponto levantado pelo sempre bem informado jornalista Claudio Humberto em seu Diário do Poder, 11 out° 2014.

Interligne vertical 10«Os comandantes do Exército e da Aeronáutica se fingem de mortos. Dois anos após a condenação por corrupção dos mensaleiros José Genoino e José Dirceu, ainda não cumpriram a legislação que os obriga a cassar as condecorações concedidas à dupla de presidiários. Ambos têm medo de contrariar a cúpula do PT e sobretudo a presidente Dilma. A condenação da dupla completou dois anos no dia 3 passado.

O Decreto n° 3446/2000, ignorado pelos comandantes, manda cassar medalhas de condenado por crime contra o erário, como é o caso.

José Genoino foi homenageado com a Medalha do Pacificador, uma das mais importantes do Exército. E a mantém até hoje.

José Dirceu ganhou a condecoração da Ordem do Mérito Aeronáutico, também entregue a Genoino quando ele era réu do mensalão, no STF.

O Ministério da Defesa e os comandantes militares se escondem para não dar explicações sobre o medo de cumprir a lei e cassar medalhas.»

Interligne 18b

(*) Lasciate ogni speranza, voi ch’entrate – Abandonai toda esperança, vós que entrais.
Transcrição, em italiano moderno, de ultracitado decassílabo da Divina Commedia do poeta Dante Alighieri (1265-1321).
A advertência aparece no Canto Terceiro da terrível descrição do inferno e dirige-se a todos os que chegam.

Frase do dia — 177

«Após Antônio Patriota, Dilma adquiriu repulsa a diplomatas. Não os chama pelo nome, mas de “Itamaraty”, de forma debochada, como se fora palavrão.»

Cláudio Humberto, in Diário do Poder, 30 ago 2014.

Estreito, atrasado, trapalhão

O governo «plantou» nos jornais de ontem correção importante no seu discurso sobre o Oriente Médio: destacou que a presidenta Dilma qualifica de «massacre» e não «genocídio» o que ocorre em Gaza, em razão da ofensiva israelense.

Dilma isola e se descola do aspone lulista Marco Aurélio «Top-Top» Garcia – que usou a expressão «genocídio», provocando reação de Israel e fazendo do Brasil motivo de chacota.

O governo de Israel chutou o pau da barraca e chamou de «anã» a diplomacia brasileira por saber que «Top-Top» Garcia a lidera de fato.

Dilma e GarciaEstreito, atrasado, trapalhão, Marco Aurélio Garcia jamais foi diplomata, mas define a política externa desde o governo do Lula.

Subservientes, os diplomatas assistem Marco Aurélio Garcia esfacelar o prestígio construído pelo Itamaraty ao longo de mais de cem anos.

Interligne 18c

Reprodução de artigo publicado pelo jornalista Cláudio Humberto in Diário do Poder, 30 jul° 2014.

Frase do dia — 163

«Pensando bem… o título de “anão diplomático” dado por Israel ao Brasil, pelo menos desta vez, nada teve a ver com um certo ex-chanceler megalonanico.»

Cláudio Humberto, jornalista, in Diário do Poder, 25 jul° 2014.

Recordar é viver ― 5

Lingua 1O ex-presidente Lula fala apenas a própria língua, e mal. Mas também não finge “arranhar” outros idiomas.

Em 2005, por ocasião da cerimônia de sepultamento do Papa João Paulo II, ele se viu em meio a personalidades políticas mundiais, incluindo o então presidente da França, Jacques Chirac, que lhe dirigiu algumas palavras.

Sem qualquer diplomata brasileiro nas proximidades para socorrê-lo, o Lula não hesitou. Cutucou o antecessor Fernando Henrique Cardoso, que estava ao lado, e pediu com toda a humildade:

― Traduz aí, Fernando!

Pescado no site do Cláudio Humberto, Diário do Poder.

Frase do dia — 145

«A presidenta Dilma invade sem cerimônia a área de atuação do Poder Legislativo. Conseguiu criar mais leis, durante seu governo, do que os 81 senadores somados. Desde sua posse, em 2011, ela transformou em lei 86 medidas provisórias que arremessou para o Congresso, enquanto o dócil Senado propôs e criou apenas 51.»

Cláudio Humberto, in Diário do Poder, 2 jun° 2014.

Frase do dia ― 38

«Todo mundo aplaudiu quando Jânio Quadros, naqueles tumultuados sete meses em que exerceu a presidência da República, nomeou um negro para embaixador do Brasil num país da África. Carlos Lacerda foi o único a protestar, lembrando estar vaga nossa embaixada na Suécia: “Vão nomear um lourinho para Estocolmo?”»

Carlos Chagas em sua coluna, in Diário do Poder de 2 nov° 2013, referindo-se à recente decisão da CCJ/Câmara de reservar quota para parlamentares negros.

Dilma enfezada

Citando o sempre bem informado Diário do Poder de Cláudio Humberto, o jornalista Políbio Braga conta um fato ocorrido quando a presidente voltava de uma viagem aos Estados Unidos. Aqui está o relato.

«Dilma integraria a família dos Angry Birds como mais enfezada do que o próprio Red.

A fama de enfezada, irascível e má parece ter apanhado de vez a presidente Dilma Rousseff, porque a cada dia somam-se fatos que comprovam os maus bofes da líder do PT. As notas a seguir são do jornalista Claudio Humberto, todas postadas no seu Diário do Poder desta segunda-feira:

• DILMA, A ENFEZADA, LARGOU TRADUTORA NO PANAMÁ ― A presidenta Dilma não demitiu antes o ex-chanceler Antonio Patriota por achar que “todos são a mesma coisa”, com diz dos diplomatas. Mas tratava mal a todos, como a tradutora em visita aos EUA que Dilma detestou. Para se vingar do Itamaraty pela viagem pífia, ela abandonou a tradutora no aeroporto da Cidade do Panamá, após escala na viagem de volta. Os colegas da moça, diplomatas, ficaram revoltados.

• IMPLACÁVEL ― A escala para reabastecer demorou menos que previsto. Dilma mandou o avião decolar, mesmo sabendo que a tradutora ainda não retornara.

• SEM DOCUMENTOS ― A tradutora, que havia desembarcado para procurar uma farmácia, foi abandonada no Panamá sem passaporte nem malas. Dilma se divertiu.

• QUE SE VIRE ― O Airbus taxiava quando assessores ponderaram que a tradutora, sozinha, sofreria o diabo no Panamá. E Dilma: “O problema é dela”.»

Os faltosos

José Horta Manzano

Voltemos ao voto secreto pelo qual suas excelências determinaram que lhes parecia perfeitamente compatível manter o mandato de um deputado federal, não obstante o fato de ele estar cumprindo pena de prisão de 13 anos.

O resultado da votação secreta só fez acrescentar pasmo à aberração. Se já era aberrante termos um deputado privado de seus direitos políticos(!), a confirmação da manutenção do mandato ― concedida a um colega criminoso e encarcerado ― polvilhou de pasmo uma situação já surreal.

Fim do voto secreto Crédito: Pelicano

Fim do voto secreto
Crédito: Pelicano

Os que compareceram à sessão da Câmara podem ainda escapar pela tangente. Dado que ninguém sabe como votaram, podem até jurar de pés juntos que se exprimiram em favor da cassação. Aliás, seria interessante fazer uma pesquisa e perguntar a cada um como votou. Muito poucos ousariam confessar que votaram pela manutenção do mandato.

A soma dos que se abstiveram com os que simplesmente faltaram à sessão dá mais de 100 eleitos. Para esses, não há perdão: o desprezo com que trataram a questão deu ganho de causa à maioria de espertalhões. É permitido inferir que fosse exatamente essa a intenção dos ausentes.

Cláudio Humberto publicou e Políbio Braga repercutiu a lista dos que, em cima do muro, não ousaram exprimir sua opinião, permitindo que o criminoso conservasse o mandato.

A lista inclui figurinhas carimbadas da política brasileira. Entre elas, Marco Feliciano, Romário, Gabriel Chalita, Renan Filho, Paulo Maluf (quem diria!), Jacqueline Roriz.

Leia atentamente a lista. Ela poderá ser-lhe útil na próxima eleição.