José Horta Manzano
Daqui do outro lado do oceano, consigo ouvir o burburinho que se alevanta de Pindorama à aproximação do segundo turno das presidenciais. Parece até que o destino do Brasil será definido pelo voto de domingo. É verdade que, em nosso regime, um presidente pode muito. Só que não pode tudo.
Dia 4 de outubro, o voto dos eleitores já definiu os integrantes da Câmara e de boa parte do Senado. Para esses, o resultado é definitivo, não há segundo turno possível. Os candidatos da ultradireita, em grande parte aninhados na agremiação do senhor Valdemar Costa Neto, já dão a grande tendência dos próximos quatro anos: um Congresso recurvado fortemente à direita.
Seja qual for o presidente escolhido domingo, ele terá pela frente um Parlamento (bem) à direita. Se Bolsonaro jr. vencer, estará com a faca e o queijo na mâo para completar a obra que o pai deixou pela metade. Se o vencedor for Lula, ele terá de buscar no Centrão os votos que lhe faltam para aprovar projetos de seu interesse. Assim mesmo, nâo será fácil.
O que dói mesmo é ver moleques petulantes e ignorantes eleitos com milhões de votos para a deputação federal. 80% dos “influenciadores” que se candidataram conseguiram eleger-se, mostrando o caminho das pedras àqueles que sonham com o enriquecimento fácil à custa de negociatas e maracutaias.
Para que serve ter trabalho elaborando projetos e programas, se é tão mais simples instalar-se diante do celular e gravar qualquer bobagem para se tornar conhecido. Qualquer coisa serve, quanto mais escandaloso o assunto, melhor efeito fará.
Se já faz tempo que o Brasil tinha deixado de ser o país da esperança, vai-se tornando aos poucos um país sem futuro, um arremedo de teocracia espandongada, com um povo representado no Congresso por moleques irresponsáveis e por adultos mal-intencionados.
No domingo, vamos ao voto. Mas o mal já está feito.
