O estrago é maior

José Horta Manzano

Desde que a Operação Lava a Jato levantou a ponta do tapete que enfeita a sala do andar de cima, uma sujeirada começou a sair. Foi como se tivessem erguido a lápide da tumba dos horrores. O que escapou de fantasma não está escrito! As barbaridades que apareceram estes últimos anos deixaram o País de queixo caído. E quando a gente pensa que acabou, lá vem mais.

Dos bilhões surrupiados, nem precisa falar. Dá muita raiva. Poucos meses de cadeia para quem levou a saúde e os sonhos dos compatriotas é muito pouco. Muito pouco. Esses calhordas tinham de apodrecer na masmorra, pra nunca mais sair. A começar pelo chefe de todos eles.

O mal-afortunado incêndio do Museu Nacional foi edificante. Ficamos sabendo que a manutenção do venerando estabelecimento tinha sido confiada a uma universidade federal cuja cúpula dirigente estava dominada por lulopetistas de carteirinha. Os holofotes giraram para outras universidades federais. Veio à luz que estão praticamente todas infestadas por elementos de mesmo jaez.

Em artigo publicado pelo Estadão deste domingo, a jornalista Eliana Cantanhêde focaliza outra secular instituição do Brasil ‒ o Itamaraty ‒ e aponta o profundo entranhamento que a máquina lulopetista pôs em prática ali. A jornalista relata que os embaixadores Celso Amorim e José Viegas, cardeais de alta batina, se encarregaram de impor doutrinamento a uma geração de diplomatas. O resultado foi a vergonhosa diplomacia «ativa e proativa» que se aproximou de ditaduras sanguinárias e dançou quadrilha com elas. Com resultado nulo para os interesses nacionais, frise-se.

O próximo presidente do Brasil ‒ desde que não seja o candidato petista, te esconjuro! ‒ vai ter muito trabalho, mas muito trabalho mesmo, pra repor a casa em ordem. Desde que as credenciais de mérito foram abandonadas em favor da carteirinha do partido, a contaminação ideológica infestou centenas de empresas estatais, agências reguladoras, embaixadas, consulados, até a representação brasileira junto à Organização dos Estados Americanos. A contar de primeiro de janeiro do ano que vem, vai aparecer muito desempregado na praça.

Frase do dia — 333

«La Carta Democrática Interamericana (CDI) que la Organización de Estados Americanos (OEA) busca aplicar a Venezuela es un mecanismo esencialmente constructivo para una dictadura que se burla de la comunidad interamericana.»

Luis Leonardo Almagro Lemes, político uruguaio, antigo ministro de Relações Exteriores, atualmente secretário-geral da OEA  (Organização dos Estados Americanos), em artigo publicado pela Agência EFE.

Como se pode constatar, o secretário-geral não dobra a língua ao qualificar a Venezuela como “ditadura que zomba da comunidade interamericana”.

Organização dos Estados Americanos

José Horta Manzano

Desde que os primeiros europeus aportaram no continente americano, começaram a surgir estabelecimentos estáveis e permanentes. Ingleses, franceses, portugueses, espanhóis, holandeses se fixaram ao longo da costa.

Com o passar do tempo, colônias inglesas, portuguesas e espanholas se mostraram mais vigorosas que as demais. À custa de muito enfrentamento e muita briga ‒ tudo temperado com boa pitada de vaidades pessoais ‒ as colônias primitivas foram-se sentindo cada dia mais fortes para pleitear independência da metrópole. Após pouco mais de três séculos de colonização, a maior parte do território tinha alcançado independência. Uma vintena de novos Estados havia surgido.

OEA 1A linha histórica comum a todos incentivou-os a criar um foro de encontro e discussão. A ideia, que já vinha das primeiras décadas do século 19, foi tomando corpo com os anos. A forma atual foi sacramentada com a adoção da Carta de 1948, quando todos os países americanos independentes aderiram à Organização dos Estados Americanos.

Por seu peso econômico e militar, os EUA sempre representaram papel importante no bloco. No entanto, tirando um ou outro esporádico atrito aqui e ali, essa situação não incomodou a maioria. Isso durou até o fim do século 20.

Os anos 2000 trouxeram mudanças significativas que viriam balançar o coreto. Governantes populistas e pseudonacionalistas pipocaram em diversos países do continente. Venezuela, Argentina, Brasil, Bolívia, Equador, Honduras, Nicarágua sofreram as agruras que esse tipo de medalhões costuma gerar. Pouco a pouco, os regimes vão caindo de podres. Mas as consequências da corrupção e da incompetência se farão sentir por muitos anos.

OEA 2No auge do movimento populista, dirigentes se mancomunaram na defesa de seus interesses. Como outros governantes autoritários registrados pela História, julgavam-se inamovíveis e definitivamente instalados. Nosso guia juntou-se aos pranteados Chávez e Kirchner para fundar uma nova organização. No fundo, funcionaria exatamente como a OEA, com uma grande diferença: os EUA não seriam admitidos no clube.

E assim foi feito. Criou-se a Unasur, que as más línguas apelidam de União dos Cucarachas. Lula, Chávez, Kirchner & companhia exultaram por ter mandado a OEA para escanteio. Enfim, livres dos imperialistas!

Interligne 18h

Estes dias, em desespero de causa, os advogados de dona Dilma estão queimando os gravetos de que ainda dispõem para alimentar fogareiro moribundo. Algum assessor, brilhante como os demais, teve a genial ideia de denunciar, pela milésima vez, o «golpe» desferido contra a (ainda) presidente.

Diabo 3Para obter maior eco internacional, foi escolhida naturalmente a Unasur, certo? Errado, distinto leitor. Engolindo cobras, lagartos e jacarés, apelaram para… a Organização dos Estados Americanos. Ai, ai, ai… Pedir socorro aos odiados «loiros de olhos azuis», que vergonha! Só faltava isso.

Nossa idolatrada líder declarou, um dia, que, nas eleições, «se faz o diabo». Agora fica claro que não é só nas eleições