Raios que o partam

José Horta Manzano

Você sabia?

Os franceses costumam dizer que «on ne parle jamais des trains qui arrivent à l‘heure», ninguém fala dos trens que chegam no horário. É verdade. Os acontecimentos corriqueiros não costumam aparecer nas manchetes. Em compensação…

… em compensação, quando sobrevém uma desgraça ou uma catástrofe, a história muda de figura. Vai direto para a primeira página de todos os jornais. E também para a abertura de todos os informativos de rádio e tevê. Na falta de grandes desastres, qualquer fato fora do costumeiro também serve.

Faz uns dias, um raio acertou um dedo da estátua do Cristo Redentor, no alto do Corcovado. Estima-se que 32 milhões de raios atinjam o solo do planeta a cada ano. Isso dá quase 90 mil por dia. Assim mesmo, não é todos os dias que a natureza demonstra pontaria tão certeira. Bem na ponta do dedo!

Frequência de raios que atingem o solo (n° de ocorrências por km2 por dia) Crédito: Nasa.gov

Frequência de raios que atingem o solo (n° de ocorrências por km2 por dia)
Crédito: Nasa.gov    –    Clique no mapa para ampliar

Jornais online não deixaram de enriquecer sua galeria com fotos do raro acontecimento. Entre outras, aqui está a do Nouvel Observateur, de Paris. Com um certo humor, relatam que a gigantesca imagem acidentada teve de levar pontos de sutura.

É voz corrente que o Brasil é o país onde o maior número de raios atinge o solo. Deve ser verdade. Esse fenômeno elétrico é muito mais frequente em zonas equatoriais e tropicais do que no resto do globo. O Brasil está situado entre equador e trópico. Além disso, é dono de imenso território. Portanto, a afirmação faz sentido.

Comprai, irmãos!

José Horta Manzano

Você sabia?

Não prometi, mas achei que tinha ficado devendo o final da novela. Estou falando do voto popular que tivemos na Suíça ontem, 22 de setembro. Para quem não sabe mais do que estou falando, é a continuação da história que comecei a contar no meu artigo É dia de votar!, de 9 de setembro. A questão palpitante se referia ao horário de abertura dos supermercadinhos acoplados a postos de gasolina.

As urnas falaram, como se costuma dizer. Por maioria de quase 56%, os cidadãos deste país deram sua aprovação à lei que altera o horário de funcionamento das lojas de conveniência instaladas em postos de gasolina. Podem agora funcionar 24h por dia. Demorou anos, mas o grande dia chegou.

Local de votação, Suíça

Local de votação, Suíça

Mas atenção! Tão somente esses convenientes estabelecimentos comerciais caem no campo de abrangência da nova legislação. Quanto aos outros, neca! A proibição de abertura noturna de supermercados e de outros estabelecimentos comerciais continua tão rigorosa quanto antes.

Uma outra pergunta feita ao povo ontem foi se aceitavam a extinção do serviço militar obrigatório. Como era esperado, os suíços se mostraram radicalmente opostos a essa novidade. Três em cada quatro votantes recusaram-se a aceitar a inovação. Afinal, no imaginário popular, um exército forte e bem preparado é o principal sustentáculo da nação. É símbolo do país e faz parte de sua cultura. Enfraquecer as forças armadas seria como demolir o Cristo Redentor do Rio de Janeiro. Inconcebível.

Cerca de 46% dos eleitores compareceram às urnas para exprimir sua opinião. Até que não é uma porcentagem tão baixa como parece. Dado que o voto aqui não é obrigatório, a participação de metade do eleitorado já é festejada.

Veja os resultados aqui.