Autoproclamado

José Horta Manzano

Está ficando esquisito esse costume de chamar señor Guaidó de «presidente autoproclamado». Ou o homem é presidente ou não é. Dizer que é “autoproclamado” vai bem pra Napoleão de hospício, daqueles que se postam em frente à entrada principal do asilo, batem no peito e berram: “O presidente sou eu!”.

Ora, no caso venezuelano, o drama é mais cabeludo e menos irregular do que parece. A legitimidade de señor Guaidó vem de seu cargo de presidente da Assembleia Nacional do país, eleita pelo povo em votação aceita por todos como livre e democrática. Foi à vista do caos criado pelas intenções ditatoriais de Maduro que a Assembleia decidiu desgarrar-se e seguir rumo próprio. Deixou claro que não aceita imposições ditadas pela força bruta de um candidato a imperador.

Texto de O Globo, 1° março 2019

Engraçado mesmo foi o enroscado texto d’O Globo de hoje. Trata señor Guaidó de presidente autoproclamado pela Assembleia Nacional. Como é que é? O prefixo auto indica sempre um ato reflexivo, isto é, uma ação que o indivíduo pratica contra si mesmo. Nem que fosse composta por loucos de hospício, a Assembleia venezuelana conseguiria a proeza de “autoproclamar” alguém. Os autores, naturalmente queriam dizer que o moço foi proclamado presidente interino.

Foi o que aconteceu e é assim que se diz.

Pena dissuasiva

José Horta Manzano

Madame Sylvie Andrieux, de 53 anos, deputada da Assembleia Francesa, andou cometendo uns «malfeitos». Durante alguns anos, de 2005 a 2009, desviou dinheiro público por intermédio de entidades de fachada.

Sylvie Andrieux, ex-deputada francesa

Sylvie Andrieux, ex-deputada francesa

Um dia, como costuma acontecer, afrouxou os cuidados e acabou sendo apanhada com a boca na botija. A Assembleia Nacional suspendeu sua imunidade parlamentar. A moça entrou como acusada num processo de «cumplicidade de tentativa de estelionato e de roubo de dinheiro público».

O processo, que teve lugar em 2013, julgou Madame Andrieux e outros 21 envolvidos na fraude. A parlamentar foi condenada a três anos de prisão, sendo um em regime fechado e dois em liberdade condicional.

Outra consequência do julgamento foi a expulsão da deputada. Seu partido a mandou cantar em outra freguesia. De gente assim, em terra civilizada, ninguém quer saber.

Desapontada, a deputada entrou com recurso. Hoje saiu o resultado do julgamento em segunda instância: a pena foi agravada. Permanece a condenação a um ano de prisão em regime fechado, mas o «sursis» (pena suspensa) passa de dois a três anos. Além disso, o castigo da moça foi incrementado com cinco anos de inelegibilidade e 100 mil euros de multa.

Persistentes, seus advogados fazem saber que pretendem recorrer à corte suprema do país.

Interligne 18bObservação financeira:
O montante desviado foi de 740 mil euros. Dividido por 21 participantes, dá um montante teórico de menos de 34 mil por cabeça. Se, no Brasil, pegasse a moda de mandar para a cadeia parlamentar que desvia 100 mil reais, seria o caso de pensar em mandar cercar o Congresso.