Brasil e o Brics

José Horta Manzano

No início deste século, um dirigente do Banco Goldman Sachs se inspirou na primeira letra do nome dos países à época emergentes, que eram Brasil, Rússia, Índia e China. Como num quebra-cabeça, o economista organizou essas quatro letrinhas iniciais e formou o acrônimo Bric. O nome foi publicado pela primeira vez num relatório de 2001.

Com o passar dos anos, a sigla, que representava o que mais tarde seria batizado de “Sul Global”, foi sendo cada vez mais citada. Oito anos depois da invenção do economista, os quatro países emergentes decidiram se reunir. O que não passava de acrônimo abstrato começou a tomar vida.

Naqueles anos, antes da invasão russa à Ucrânia, ainda não pesava um mandado de prisão sobre a cabeça do ditador Putin, e ele viajava livremente ao redor do mundo e comparecia às reuniões anuais do grupo. Hoje deixou de fazê-lo, receoso de ser detido e despachado para a Haia, nos Países Baixos, onde está o Tribunal Penal Internacional.

Nosso Lula nacional, que não desdenha uma viagenzinha ao exterior, sobretudo se for para discursar perante seleta plateia, foi entusiasta do novo grupo desde o início. Sem refletir sobre as implicações que isso poderia ocasionar, chegou até a aplaudir a ideia, lançada pelos chineses, de alargar o clube, permitindo a entrada de outros sócios. Por um momento, a ideia de brilhar diante de plateia mais ampla deve ter lhe parecido inebriante.

A ressaca vem sempre no dia seguinte. Talvez sacudido por assessores, Luiz Inácio deu-se conta de que, quanto mais países integrassem o grupo, menos importante ia se tornando o papel do Brasil. Num hipotético universo de dezenas de países membros, a presença de nosso país se diluiria. Expansão desenfreada só interessa a quem detém o poder real : a China.

Desde que se deu conta do problema, o Brasil entrou num dilema cabeludo entre ficar no grupo ou deixá-lo.

Continuar membro significa transformar-se em coroinha da China, que é quem diz a missa. Os chineses esperam que todos os que ali estão digam amém a seus ditames, exatamente como fazem os russos atualmente. A permanência no bloco é vista pelo mundo como sujeição aos desígnios de Pequim, que não é exatamente o caminho que o Brasil tencionava seguir.

Virar as costas e sair do clube é também problemático. A China é nosso principal comprador, a Rússia nos vende fertilizantes. O Planalto, que gostaria de ficar bem com todos, teria nessa retirada um grave problema.

Há ainda o fato de Lula e seu assessor Amorim serem antiamericanos de carteirinha. Se saísse do clube, o Brasil ajudaria a marcar pontos para os EUA, fato que deve deixar nosso presidente horrorizado.

Que fazer? Não há meias verdades. Para o Brasil de Lula, é complicado passar o tempo atacando os EUA e os países ocidentais e, ao mesmo tempo, esperar ser por eles apreciado e bem tratado. Por seu lado, Brasília não pode brincar de amigo-amigo com Moscou e Pequim sem ser visto como aliado da China.

Diferentemente do que Lula e sua diplomacia podem imaginar, o planeta não está se tornando “multipolar”. Tudo caminha para a bipolaridade, que é o caminho traçado e seguido nas últimas décadas. De um lado, estão os EUA e as democracias ocidentais, do outro lado está a China acompanhada por ditaduras e autocracias.

Será difícil equilibrar-se entre os dois.

Mundo

José Horta Manzano

Veio ao mundo numa família pra lá de modesta. Esforçado, conseguiu superar as dificuldades. Ao fim da adolescência, ganhou o mundo. Com trabalho e boa dose de sorte, chegou a poupar um pouco. Não era um mundo de dinheiro, mas dava pro gasto. Afinal, economizar um pouquinho não é nada do outro mundo.

Em momentos de folga, enquanto outros deixavam o espírito vagar no mundo da lua, ele sonhava em viajar, correr mundo. Para concretizar o sonho, havia de mover mundos e fundos sem se deixar distrair. E seguiu a boa receita: sempre correto, passou ao largo de toda tentação do baixo mundo.

Assim que a poupança atingiu o montante necessário, comprou uma passagem de avião e caiu no mundo. Pra deixar amigos e conhecidos com água na boca, contou a novidade pra meio mundo. Em suas viagens, o que mais apreciou foi o Velho Mundo. Não se sentia atraído por países do Terceiro Mundo – sempre preferiu os do Primeiro Mundo.

Mesmo assim, ladrão há por toda parte. Um dia, foi assaltado. Levaram-lhe dinheiro vivo, cartões de crédito, passaporte e toda a bagagem – perda total. Seu mundo veio abaixo.

Precisou pedir asilo na embaixada, que o acolheu gelidamente. Com muita vergonha, foi obrigado a aceitar a passagem de retorno que lhe ofereciam. Voltou com uma mão na frente, outra nas costas. O pior mesmo foi quando todo o mundo ficou sabendo. O final da aventura foi melancólico. No aeroporto, em vez de um mundaréu de gente, não havia um gato pingado pra abraçá-lo. Mundo cruel…

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José Horta Manzano

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Os poderosos

José Horta Manzano

Copacabana 5A Forbes publicou a lista de personalidades que, segundo seus critérios, são as mais influentes do ano.

Todos os primeiros 10 lugares da lista planetária são ocupados por governantes e personagens das finanças ou do mundo corporativo. É realmente gente que manda, gente que tem real poder.

Já na lista brasileira… a coisa é bem diferente. Entre os 20 primeiros, 9 são jogadores ou gente ligada ao futebol. Os demais são artistas ou pessoas ligadas ao espetáculo. Acrescente-se um autor de romances populares, um piloto de automóvel, uma supermodelo e a lista está completa.

Nenhum político e nenhum empreendedor. Faz sentido. A coisa vai e a coisa vem. Assim como o povo não significa grande coisa para os políticos – a não ser na hora da eleição, os políticos não representam grande coisa para os brasileiros.

A lista dos «poderosos» brasileiros é por demais eloquente: mostra que o ideal do brasileiro – futebol, novela, praia, gente bonita e pouca roupa – não é só um clichê.

Os dez mais poderosos no planeta:
1. Vladimir Putin      Presidente da Rússia
2. Barack Obama        Presidente dos EUA
3. Xi Jinping          Presidente da China
4. Papa Francisco      Chefe do Estado do Vaticano e da Igreja Católica
5. Angela Merkel       Primeira-ministra da Alemanha
6. Janet Yellen        Presidente do Banco Central Americano (FED)
7. Bill Gates          Fundador da Microsoft
8. Mario Draghi        Presidente do Banco Central Europeu
9. S. Brin & L. Page   Dirigentes do Google
10. David Cameron      Primeiro-ministro britânico

Coqueiro 1Os vinte mais poderosos do Brasil:
1. Neymar
2. David Luiz
3. Paulo Coelho
4. Ivete Sangalo
5. Gisele Bündchen
6. Daniel Alves
7. Pelé
8. Roberto Carlos
9. Caetano Veloso
10. Luciano Huck
11. Kaká
12. Luis Felipe Scolari
13. Cláudia Leitte
14. Ronaldo Nazário
15. Gilberto Gil
16. Felipe Massa
17. Chico Buarque
18. Romário
19. Muricy Ramalho
20. Angélica

Cada povo prestigia os melhores. Ou não?

Fontes:
Forbes
Hugo Gloss