Política externa

José Horta Manzano

A prova de fogo que doutor Bolsonaro está sendo obrigado a encarar está entre as mais delicadas, especialmente para um governo inexperiente: a política externa. Nos tempos do petismo, não tivemos problemas com vizinhos. O Lula é que foi ao Oriente Médio buscar sarna pra se coçar. Foi porque quis, que seu ego imenso lhe fazia crer que estava destinado a liderar o planeta. Foi buscar sarna, encontrou, e saiu se coçando. E está se dedetizando até hoje pra se livrar da praga que rogou pra si próprio.

A encrenca que temos hoje na frente externa não é resultado de políticas nossas do passado. A ditadura venezuelana nasceu e se desenvolveu por si, ainda que o petismo lhe tenha dado uma força. A mão forte de Lula & cia., no entanto, não foi fator determinante pra garantir longevidade.

O problema que se nos apresenta é daqueles que nenhum dirigente deseja enfrentar, muito menos em começo de mandato. E até que não estamos nos saindo tão mal. Inteirados da rusticidade e do maniqueísmo primário de nosso ministro de Relações Exteriores, os integrantes da ala militar do governo não têm permitido que ele assuma protagonismo. Nem esse ministro, nem os bolsonarinhos ‒ que, por sinal, andam apagados. Minha avó dizia que criança, quando está quietinha sem dar um pio, é que está fazendo arte. Espero que os juniores não estejam tramando novo golpe.

Estivessem as decisões nas mãos do mandachuva do Itamaraty ou dos belicosos primeiros-filhos, o Brasil já teria declarado guerra ao vizinho, com bombardeio aéreo e envio de tropas de infantaria. Imaginem o desastre! Ainda bem que eles estão eclipsados. O exército bolivariano anda meio mambembe, é verdade. Assim mesmo, não convém provocar.

Señor Maduro, embora não tenha sido militar mas motorista de ônibus, entendeu que sua base de sustentação não está no parlamento, nem nas urnas, nem nas ruas. Sabe que está nas forças armadas. Ao longo dos anos, continuando o trabalho de seu antecessor, distribuiu benesses aos fardados. Os de mais alta patente não vivem num país flagelado pela fome e pela falta de medicamentos. Vivem numa outra Venezuela, um país de fartura onde tudo é possível.

Os agrados garantidos aos militares incluem promoções políticas, que nada têm a ver com ascensão por mérito. De tanto forçar a barra, as forças armadas têm hoje muito cacique pra pouco índio. Há mais de 2000(!) generais para um contingente de 123 mil homens. Isso dá um general pra cada 57 soldados ‒ um despropósito.

Só que essa abundância de graduados transmite falsa sensação de segurança. Na hora do vamos ver, quem combate não são os generais mimados e bem pagos ‒ são os soldados. Oficiais de alta patente, corrompidos e enricados, têm o rabo preso. Soldados rasos, não. E o que é que se viu diante das trapalhadas que tiveram lugar nas fronteiras este fim de semana? Pois vimos soldados desertando, entregando armas e declarando fidelidade ao presidente interino. Foram algumas dezenas. O número só não foi maior porque muitos deles têm família e temem represálias.

O desmoronamento final do regime pode demorar, mas é inevitável. No dia em que todos os soldados tiverem desertado, que vão fazer os dois mil generais? Bailar un merengue?

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