Frase do dia — 117

«Filmado arremessando pedaços de fruta na rua, [Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro] explicou que os jogou na direção de uma lixeira longínqua “ou para que um de seus assessores fizesse o descarte em local adequado”. Fica criada assim a categoria de assessor de descarte, ou gari de prefeito.»

Elio Gaspari, em sua coluna da Folha de São Paulo, 9 mar 2014.

É tudo verdade

(Colaboração de Roberto Freire, pescada no Blog da Dad)

No Havaí, todas as sandálias são havaianas.

A primeira missa do Brasil foi o maior programa de índio.

Mulher grávida reclama de barriga cheia.

Os filósofos têm um problema para cada solução.

Lixo = coisas que jogamos fora.

Crédito: Philippe Berry

Crédito: Philippe Berry

Coisas = lixo que guardamos.

Herói é o covarde que não teve tempo de fugir.

Tinja o cabelo de preto para namorar e de branco para  encontros de negócio.

Relógio que atrasa não adianta.

Nasci careca, nu e sem dente. O que vier é lucro.

Um chato nunca perde o seu tempo. Perde o dos outros.

Não brinque com fogo: ele não sabe brincar.

Celebridade é alguém que trabalha duro muito tempo para se tornar conhecida, e depois passa a usar óculos escuros para não ser reconhecida.

Você estará velho quando achar que antigamente era melhor.

Canela: parte do corpo útil para achar móveis no escuro.

Amigo é alguém que tem os mesmos inimigos que você.

A fé move montanhas. Os ecologistas são contra.

Ser canhoto é muito fácil, difícil é ser direito.

Quando não restar mais nenhuma opção, leia o manual de instruções.

Evite acidentes. Faça de propósito.

Quando era criança, pensava que dinheiro era a coisa mais importante do mundo. Hoje tenho certeza.

Você sabe que está ficando velho quando as velas saem mais caro que o bolo.

A primeira amnésia a gente nunca esquece.

A vantagem de ter péssima memória é divertir-se muitas vezes com a mesma piada como se fosse a primeira vez.

Não existem ateus numa pane de avião.

No avião o medo é sempre passageiro.

O homem do saco

Você sabia?

José Horta Manzano

Homem do saco

Homem do saco

Quando éramos crianças, ouvíamos palavras estranhas sem entender direito o que significavam.

Dorme, Nenem
Se não a cuca vem
Papai foi na roça
Mamãe saiu também

Quem é essa tal de cuca? Até hoje não descobri.

Tem um outro que nos assustava mais ainda. Quando alguma das crianças era impertinente, como se dizia, a mãe vinha logo com a chantagem: «Menino, sossega, se não o homem do saco vem e te pega!».

As crianças não sabiam direito quem era esse homem do saco, mas a perspectiva de ser atirado dentro de um embornal e carregado no escuro para lugar desconhecido, longe de casa, costumava ser eficaz. A criança birrenta se acalmava. Pelo menos, por algum tempo.

A imagem do saco já não assusta como antes. O que atrapalha os adultos que agora somos não é mais o medo do saco ― é o preço dele. Explico.

Estes dias, todos os habitantes do município suíço em que vivo receberam um aviso da prefeitura. Estamos avisados que, a partir de 1° de janeiro de 2013, um esforço financeiro será exigido de todos, com vistas a financiar a incineração ou a reciclagem do lixo doméstico.

Taxa do lixo

Taxa do lixo

Por um lado, uma taxa anual de 70 francos (85 dólares) será cobrada de cada habitante maior de 18 anos. E não adianta espernear. Não escaparão nem os que, porventura, tiverem apenas uma casa de campo no município. Todos terão de contribuir, é de lei.

Por outro lado ― e essa é mais doída ― uma segunda taxa será cobrada. Essa outra mordida será já incluída no preço dos sacos plásticos que já faz anos que somos obrigados a usar para o lixo doméstico. O valor irá às alturas: o saco mais utilizado, de 35 litros, passa a custar 2 francos cada (2.50 dólares), preço salgado.

Para uma família de dois adultos que utilize, digamos, 3 sacos por semana, a conta final vai sair por uns 450 francos/ano (550 dólares). É muito.

É muito? Pode ser. Mas foi a maneira encontrada para forçar a população a fazer a triagem do lixo doméstico. Andaram estudando a composição do lixo do município e se deram conta de que, em média, apenas 28% do que é coletado nos sacos é realmente lixo alimentar (cascas de legumes, restos de comida). O resto é reciclável, principalmente embalagens de papel e papelão, plásticos, vidro.

Os antigos diziam que, quando não vai por bem, vai por mal. Para aqueles em cuja cabecinha a consciência ecológica não havia ainda despertado, a nova fórmula será radical. Vão aprender rapidinho.

Como sabemos todos, a parte mais sensível do ser humano é… o bolso.