Cresceu rápido

José Horta Manzano

O caderninho de notas do jornalista Lauro Jardim não deixou escapar. Entre as anotações de 15 de nov°, aparece:

“André Mendonça chamou a atenção hoje, no Fórum Jurídico de Lisboa, organizado pelo IDP de Gilmar Mendes e com meia República presente. E não exatamente pelas suas intervenções nos debates.”

Dizem as más línguas que, caso seja confirmado como ministro do STF, Mendonça não será o primeiro a ostentar cabeleira fixa, daquelas que, por nunca crescerem, dispensam visitas ao barbeiro. Será sempre uma economia para os cofres da nação, que terão uma conta a menos para pagar.

Ói o rapa!

José Horta Manzano

O termo «camelô» vem do francês «camelot». Não há consenso sobre a origem da palavra. Deriva provavelmente do árabe «hamlat» ‒ novelo de lã. Em nossa língua, designa o indivíduo que vende bugigangas, objetos de baixo valor. É comércio de rua, muitas vezes exercido furtivamente e sem anuência da autoridade encarregada de regulamentar esse tipo de atividade.

Numa dos raros sambas que fugiam ao habitual clima de fossa, a cantora e compositora Dolores Duran descrevia, lá pelos anos 50, as agruras da profissão.

Camelô esse dono da calçada,
Na conversa bem jogada
Vende a quem não quer comprar.
Se tivesse tido a chance de uma escola,
Muita gente de cartola
Lhe daria seu lugar.

Ele é vesgo pois a profissão ensina
A ter um olho na esquina e outro olho no freguês.
Assim de vez em quando ele escapa
Gozando a cara do “rapa”
Que bobeou outra vez….

O «rapa» é o fiscal da prefeitura, aquele que vem conferir se o ambulante está agindo dentro das regras. Se não estiver nos conformes, pode perder a mercadoria. Nesse caso, o agente cata tudo, rapa de vez.

Rapar

Rapar

Estes dias, um certo senhor Batista, milionário pra lá de conhecido, foi apanhado pela PF e mandado para o xadrez. Maldosa, a mídia mostrou fotos do homem antes e depois da prisão. Nos tempos áureos, o referido senhor ostentava basta cabeleira; encarcerado, apareceu praticamente careca.

Há quem afirme que o antigo topete não passava de peruca. Outros asseguram que o cabelo foi cortado rentinho. A maioria ‒ pra não dizer todos ‒ informam que o cocuruto de senhor Batista foi raspado. Só de pensar, dá arrepio. É que, habituado a lidar com línguas em que rapar e raspar são coisas diferentes, sinto-me um tanto incomodado com a confusão que se faz, no Brasil, entre os dois verbos.

É verdade que os falantes são os donos da língua e fazem dela o que bem entendem. Ainda assim, acho uma pena ver palavras adequadas serem abandonadas em favor de outras menos apropriadas.

Raspar

Raspar

Rapar é catar tudo, geralmente num único movimento. Rapa-se a cabeça (caso do prisioneiro que acabo de mencionar), rapa-se a mercadoria do camelô desprevenido, rapa-se o saldo da caderneta de poupança. O crupiê rapa as fichas dos perdedores no tapete verde da roleta. Rapa-se barba e bigode.

Raspar é outra coisa. Raspa-se um objeto ou uma superfície, ou por acidente, ou na intenção de limpar ou de eliminar alguma impureza ou excrescência. Raspa-se fundo de panela. Raspa-se a pintura da parede velha antes de aplicar nova camada. Raspa-se o carro no muro. Raspa-se casca de limão e pele de cenoura.

Sabemos que nossas prisões são sucursais do inferno. Mas ainda não chegamos ao ponto de raspar a cabeça de recém-chegados, esfregando até o sangue. Crueldade tem limites.

Interligne 18cNota poliglota

Rapar fica assim:
Em inglês: to shave, to raze
Em francês: raser
Em alemão: rasieren, abreißen
Em italiano: radere
Em espanhol: afeitar, rapar
Em sueco: raka

Raspar fica assim:
Em inglês: to scrape, to scratch
Em francês: râcler, gratter
Em alemão: klauen, abkratzen
Em italiano: grattare
Em espanhol: rascar
Em sueco: skrapa

É tudo verdade

(Colaboração de Roberto Freire, pescada no Blog da Dad)

No Havaí, todas as sandálias são havaianas.

A primeira missa do Brasil foi o maior programa de índio.

Mulher grávida reclama de barriga cheia.

Os filósofos têm um problema para cada solução.

Lixo = coisas que jogamos fora.

Crédito: Philippe Berry

Crédito: Philippe Berry

Coisas = lixo que guardamos.

Herói é o covarde que não teve tempo de fugir.

Tinja o cabelo de preto para namorar e de branco para  encontros de negócio.

Relógio que atrasa não adianta.

Nasci careca, nu e sem dente. O que vier é lucro.

Um chato nunca perde o seu tempo. Perde o dos outros.

Não brinque com fogo: ele não sabe brincar.

Celebridade é alguém que trabalha duro muito tempo para se tornar conhecida, e depois passa a usar óculos escuros para não ser reconhecida.

Você estará velho quando achar que antigamente era melhor.

Canela: parte do corpo útil para achar móveis no escuro.

Amigo é alguém que tem os mesmos inimigos que você.

A fé move montanhas. Os ecologistas são contra.

Ser canhoto é muito fácil, difícil é ser direito.

Quando não restar mais nenhuma opção, leia o manual de instruções.

Evite acidentes. Faça de propósito.

Quando era criança, pensava que dinheiro era a coisa mais importante do mundo. Hoje tenho certeza.

Você sabe que está ficando velho quando as velas saem mais caro que o bolo.

A primeira amnésia a gente nunca esquece.

A vantagem de ter péssima memória é divertir-se muitas vezes com a mesma piada como se fosse a primeira vez.

Não existem ateus numa pane de avião.

No avião o medo é sempre passageiro.