Do you speak English?

José Horta Manzano

Depois de quinze anos de afligente monoglotismo nas altas esferas brasileiras, surpreende agradavelmente constatar que o vice-presidente eleito, general Mourão, se exprime em inglês decente.

Entrevistado pela BBC três dias atrás, doutor Mourão entendeu as perguntas e não hesitou em alinhavar as respostas, mostrando familiaridade com o idioma. Em se tratando de autoridade política brasileira, a coisa é tão extraordinária que a conversa de dois minutos foi parar até no youtube.

by Mix & Remix, desenhista suíço

De fato, os que nos governaram desde que o lulopetismo se aboletou no Planalto ignoravam línguas estrangeiras. Para piorar, tinham grande dificuldade em se exprimir na própria língua nacional. Nesse particular, doutora Rousseff atingiu o paroxismo: suas falas foram, com frequência, incompreensíveis.

Num país onde boas notícias têm de ser garimpadas com persistência, é um alívio saber que o vice-presidente ‒ que foi adido militar nos EUA por dois anos ‒ consegue ler e se exprimir em inglês com destreza. Comparando com o que tivemos em passado recente, já é enorme avanço!

A Copa e as Olimpíadas

José Horta Manzano

Não se deve ter os olhos maiores que o estômago. Não convém botar no prato quantidade maior do que se vai comer. Quem assim fizer, periga dar vexame e decepcionar comensais.

JO 2020 3O Campeonato Mundial de Futebol (hoje chamado Copa do Mundo) e os Jogos Olímpicos de Verão (também ditos Olimpíadas) são os encontros esportivos mais importantes do mundo. Concorridos, frequentados, badalados e comentados, são preparados com esmero por atletas e pelo país-sede.

Ambos os eventos se realizam a cada quatro anos. Não por acaso se alternam, com dois anos de intervalo, como se um não quisesse pisar o pé do outro. O Brasil conseguiu que lhe fosse atribuída a organização dos dois megaeventos, assim seguidinho, um em 2014 e o outro em 2016.

Há quem acredite que foi por coincidência. Não é meu caso. Embora não seja de conhecimento público, tudo fica registrado nalgum lugar. Tenho certeza de que, um dia, as «gestões» responsáveis pela atribuição dos dois certames ao Brasil serão reveladas à luz do sol.

O governo brasileiro apostava todas as fichas na Copa 2014. Acostumados a navegar em mar de fantasia, tinham certeza de que – com a colaboração ativa do Todo-poderoso – o Brasil levaria a taça. Deu no que deu: panes de som nos estádios, obras inacabadas, metrôs e trens-bala inexistentes, vaias à presidente, retumbante fiasco esportivo. A olhos estrangeiros, a imagem de nosso País perdeu um bocado de seu brilho.

Crédito: Shizuo Kambayashi

Crédito: Shizuo Kambayashi

Tudo isso entornou água fria na expectativa que os Jogos Olímpicos despertavam. A pouco mais de um ano do evento que reunirá a nata do esporte mundial, pouco se fala neles. Nossa presidente já deve estar considerando se vale a pena participar da abertura oficial e correr o risco de levar mais uma vaia planetária.

Mas que fazer? Combinado está. O Brasil e, em especial, o Rio de Janeiro têm de se aplicar. Falta muito pouco tempo e ainda há muito que fazer. Falando em falta de tempo, o Japão, que hospedará em 2020 a edição seguinte das Olimpíadas, já arregaçou as mangas.

JO 2020 4Como também acontece no Brasil, fluência em línguas estrangeiras não é o ponto forte dos japoneses. Que não seja por isso, que há remédio pra tudo. O governo japonês já tomou as medidas que julga necessárias para preencher essa lacuna. Especial atenção está sendo dedicada à formação de policiais, bombeiros, garçons e guias fluentes em inglês.

Seminários de formação de guias bilíngues estão sendo organizados. O objetivo das autoridades de Tóquio para 2020 é dispor de 35 mil colaboradores bilíngues para dar apoio aos turistas e mostrar-lhes o espírito acolhedor dos japoneses.

Alguém sabe quantos guias bilíngues foram formados para os JOs do Rio? Procurei, mas não encontrei a resposta. Talvez algum distinto leitor possa me iluminar.