Nos anos 1960, um conhecido jornalista paulista, então ancorado na Rádio Panamericana, começou a dar um boletim diário de previsão do tempo. O jornalista era Narciso Vernizzi e a estação mudou de nome alguns anos mais tarde, tornando-se a Rádio Jovem Pan. Àquela altura, era conhecida como a “emissora dos esportes”, nada deixando pressupor que viesse um dia a se tornar uma rádio bolsonarista.
Vez por outra, Narciso, o jornalista agora já falecido, deixava transparecer quão precários eram os meios de previsão meteorológica 40 ou 50 anos atrás. Ele dizia: “Hoje telefonei para meu amigo Fulano, de Buenos Aires, que me informou que por lá já está chovendo, portanto a frente fria deve chegar por aqui amanhã ou depois”.
Contando isso hoje, parece mentira, mas acredite: na época, os ouvintes se maravilhavam de ver que o jornalista tinha um amigo em Buenos Aires (no estrangeiro!) que lhe dava informações tão úteis.
Esta reta final de campanha eleitoral anda difícil de decifrar. Sente-se que está até mais acirrada que a de quatro anos atrás, quando o Lula ganhou por pontos, por alguns pontinhos, fato que nenhuma empresa de sondagens tinha detectado.
Não se sabe se os institutos se tornaram demasiado prudentes; será talvez para evitar repetir o fiasco de 2022. Ou, quem sabe, o jogo está embolado mesmo. Li hoje que, das 9 pesquisas mais recentes de 2° turno, 4 dão um dos candidatos como vencedor, enquanto 5 institutos apontam a vitória do outro candidato. Durma-se com um barulho desses.
Uma hesitação tão flagrante por parte do eleitorado me parece inquietante. Temos, de um lado, um veterano que, adicionados todos os mandatos, está terminando seu 12° ano de governo. De outro lado, temos um principiante, sem histórico executivo, cujo trunfo único é ser filho de um ex-presidente da República, hoje em prisão domiciliar.
Dá vontade de fazer como o velho Narciso Vernizzi, e ligar para o amigo de Buenos Aires para ver se já está chovendo por lá.
