“Uma mulher desagradável”

José Paulo Cavalcanti Filho (*)

Calma, leitor amigo. Como dizia Chopin: “não me compreenda tão depressa”. Já dava para suspeitar que se trata de Dilma. Só que a frase do título não é minha, tanto que está entre aspas. É de Pedro Passos Coelho, ex-primeiro-ministro de Portugal. Está no novo livro de José António Saraiva ‒ Eu e os Políticos – lançado no último fim de semana em Portugal e já esgotado.

Saraiva, por quase 30 anos diretor do Expresso, o mais importante semanário de Lisboa, aproveitou a intimidade com políticos importantes da terrinha para entregar amantes, desafetos e indiscrições. Sonho com algo assim no Brasil de hoje. Iria ser divertido.

Dilma e Pedro Passos Coelho

Dilma e Pedro Passos Coelho

Ao ver esse livro nas vitrines, lembrei curiosa historinha que se conta no interior de Pernambuco. Fala de um poeta popular que escreveu cordel com título Os Canalhas de Gravata. E não vendeu nada. Foi quando um espertinho comprou toda a edição e pôs, com caneta, um acento no último “a”. Passou a ser Os Canalhas de Gravatá.  Vendeu tudo. Rápido. Na feira de Gravatá, claro. Afinal, todos temos curiosidade em saber os podres dos outros, sobretudo políticos. É algo universal.

Voltando ao livro de Saraiva, no capítulo dedicado ao antigo primeiro-ministro Passos Coelho, consta que, para ele, Dilma é «mulher presunçosa, arrogante, desagradável, roçando a má educação». Em seguida, refere gafes que ela cometeu por lá.

Como a que se deu na reunião ibero-americana de Cádiz (Espanha) em novembro de 2012, quando Dilma passou horas conversando com o presidente de Portugal, Cavaco Silva, em espanhol(!). Comenta Passos Coelho: «Como se não soubesse quem ele era. Cavaco estava estupefato, sem saber o que fazer: Dilma era presidente do Brasil havia dois anos e não o conhecia?».

Noutra ocasião, Dilma comunicou que visitaria oficialmente o país em 10 de junho (de 2013). E não, como se poderia esperar, para se juntar às comemorações do Dia de Portugal. Qualquer diplomata em princípio de carreira sabe que qualquer outro dia, em função das festas, seria melhor que aquele. É como se alguma autoridade estrangeira quisesse reunir-se com o presidente do Brasil em 7 de setembro na hora do desfile. Um vexame. Tiveram de arrumar, de última hora, helicópteros para recebê-la. Passos Coelho diz, em tom de galhofa: «Inventamos uma cimeira que não existiu, pois ela não vinha preparada para isso».

Pedro Passos Coelho e Dilma

Pedro Passos Coelho e Dilma

Fosse pouco, assim que saiu do avião, Dilma decidiu reunir-se com membros do PS, partido que fazia dura oposição ao governo. O que equivaleria, por aqui, a visitar Lula ou Rui Falcão antes de reunir-se com Temer. O governo luso ficou arreliadíssimo. Enquanto Dilma, nem aí. E aproveitou para degustar, logo depois, um bom bacalhau no restaurante Eleven. Feliz.

Também, amigo leitor, tendo Marco Aurélio «top-top» Garcia como assessor diplomático, ia querer o quê?

(*) O recifense José Paulo Cavalcanti F° (1948-) é advogado. Foi ministro da Justiça durante a presidência Sarney. É membro da Academia Pernambucana de Letras.

Um pensamento sobre ““Uma mulher desagradável”

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