Petição

by Igor Kopelnitsky (1946-2019), desenhista ucraniano-americano

José Horta Manzano

Petições estão circulando pela internet estes dias, pedindo à Fifa que a final da Copa do Mundo de futebol seja jogada de novo, veja você. Alegam que o árbitro era corrupto e que fez o que pôde para tirar a vitória da Argentina. Contam até que o homem já foi preso, algum tempo atrás, na Bósnia, numa operação contra o crime organizado. Na Bósnia… Crime organizado…

Veja como são as coisas. Até outro dia, antes da final, o que se ouvia era que a Argentina estava sendo favorecida pelos árbitros, como se estivessem todos instruídos para “aliviar” para os hermanos porque a Copa tinha que ir para eles. Certos lances de arbitragem realmente transmitiram essa impressão. É surpreendente ver, agora, reclamações no outro sentido.

Uma das petições que correm atualmente já recolheu quase cem mil assinaturas. Quero acreditar que os signatários estão todos (ou quase) na Argentina.

É comovente ver tanta gente ingênua a ponto de acreditar que uma tal petição tem alguma chance. Imagine só, se a Fifa se desse ao trabalho de atender a petições de torcedores, ainda estaríamos discutindo e jogando de novo a final da Copa de 1958, após pedido da Suécia, réplica do Brasil, tréplica da Suécia, e assim por diante.

Nem que, num rasgo de sincericídio, um árbitro viesse a reconhecer em público – e com firma reconhecida – que trapaceou, ainda assim nenhum jogo poderia ser redisputado. Jogo jogado, apito final dado e resultado homologado é fim de papo. Assunto encerrado.

Não é impossível que nosso amigo Trump tenha, sem querer, incentivado petições dessa natureza. Pois não foi ele que pediu anulação do cartão vermelho recebido por um jogador americado? E não foi a obsequiosa Fifa que, rapidinho, parcelou a suspensão do atleta em suaves prestações? Essa contradança deve ter tocado o coração de torcedores mais ingênuos: se Trump conseguiu sozinho, nós, que somos muitos, podemos também tentar.

Sugiro iniciarmos uma petição para repetir o jogo Brasil x Noruega. Desta vez, vai.