Circula pela mídia nesta terça-feira um vídeo mostrando uma revoada de repórteres, microfone na mão, todos correndo atrás de um comboio de automóveis de vidros fumês que se dirige à entrada da Polícia Federal de Brasília.
Quando vi a cena, imaginei que tivessem descolado um filmezinho do Bolsonaro sendo preso. Mas logo me lembrei que ele foi levado embora no lusco-fusco matinal de uma Brasília cochilenta, na maior discrição, sem algema e sem fotógrafo.
Atrás de quem estariam aqueles repórteres, então? Seria mais um figurão sendo conduzido para se explicar com o delegado? Olhei até o fim do vídeo. Surpresa: não era novo prisioneiro, era apenas uma visita. Tratava-se de um dos filhos de Bolsonaro, aquele que é senador e que era considerado moderado, até a semana passada, quando decidiu convocar uma prece coletiva para salvar o pai da cadeia. Vinha chegando para visitar o pai encarcerado.
Agora cogito: será que não estarão dando a essa gente uma importância que não têm? Bolsonaro foi eleito em 2017, por um desses golpes de má sorte que a natureza reserva a nosso país. Setenta anos atrás, o lema de Juscelino Kubitschek era “50 anos em 5” – anos de progresso e desenvolvimento, subentendia-se. O lema que se pode hoje atribuir ao governo de Bolsonaro é “40 anos em 4” – anos de destruição e marcha à ré, entende-se.
O capitão, como figura política, está morto e enterrado. Pode até ressuscitar um dia, que nada é impossível em nosso país, mas por enquanto está fora do jogo. A partir daí, não atino com a motivação de quem despacha a revoada de microfones atrás do filho que vem à cadeia visitar o pai condenado. Será a vontade de algumas redações de manter acesa a chama do lampião do capitão? Se não for isso, qual será o motivo de tanto auê?



