É tão simples!

Carlos Brickmann (*)

Tem gente discutindo política externa Sul-Sul, tem gente discutindo se urnas eletrônicas são confiáveis ou não, tem gente fazendo coisas que nos velhos tempos seriam chamadas de compra de votos, tem casal que vive sob o mesmo teto em que a residência do marido é contestada e a da esposa é aceita, tem gente que não consegue viver sem um tacão de coturno nos calcanhares.

Há candidatos que só querem saber se alguma coisa dá voto. E a resposta é tão simples! Um garoto de onze anos de idade telefonou para a Polícia, na região metropolitana de Belo Horizonte, pedindo comida. “Estamos com fome!”

Talvez nem seja necessário alimentar esse nosso povo por muito tempo: basta criar condições para que os pais possam trabalhar e ganhar um salário suficiente para oferecer três refeições diárias à família. Não é preciso importar armas caríssimas e perigosas: bastam talheres à mesa.

(*) Carlos Brickmann é jornalista, consultor de comunicação e colunista.

Jecas, incendiários, invertebrados

Lúcia Guimarães (*)

Os crassos jecas da Faria Lima, os incendiários do agronegócio e os invertebrados da avenida Paulista podem ter se fartado de comer mingau pela beirada do fascismo. Talvez agora tenham começado a entender o preço de negar que a agenda que apoiaram não é conservadora ou cristã, é terrorista e demolidora.

Se quiserem continuar decolando para Paris e manter o privilégio de tirar férias do martírio brasileiro, precisam de um país para onde possam voltar.

(*) Lúcia Guimarães é jornalista e colunista. O texto é fragmento de artigo seu publicado no Estadão.

Credibilidade por água abaixo

Exportação

José Horta Manzano

Patrícia Campos Mello, jornalista da Folha de SP, entrevistou o pecuarista Pedro de Camargo Neto, ex-presidente da Sociedade Rural Brasileira e ex-presidente da Associação dos Produtores e Exportadores de Carne Suína. Aqui está um trecho da entrevista.

O senhor rompeu com o setor agrícola em 2020 ao sair da Sociedade Rural Brasileira. Por quê?

O nível de ilegalidade que a gente vive na Amazônia é crítico. O garimpo ilegal está cada dia mais controlado pelo crime organizado, o Brasil começa a perder controle de parte de seu território, há muita grilagem de terras públicas, desmatamento, extração ilegal de madeira.

E a reação do governo é muito ruim, é de omissão mesmo. Vai dar trabalho recompor a credibilidade que vínhamos conquistando. Isso já está nos causando muitos problemas. Hoje, quando você se senta com a União Europeia para discutir qualquer assunto, como uma questão sanitária, ela reage questionando nossa credibilidade. Parte do setor declarou apoio à política ambiental do governo, e eu não concordei. Por isso saí.

As palavras que escondem os fatos

Carlos Brickmann (*)

O ex-presidente Jânio Quadros era mestre nisso: pendurou chuteiras na porta de sua sala (para indicar que não pretendia mais disputar eleições), apareceu com uma calça por cima da outra, a de cima arregaçada para mostrar a de baixo, simulando distração.

O então prefeito César Maia, no calor do verão carioca, saiu de casa todo agasalhado, entrou num açougue e pediu sorvete. Doidos? Não: doido é quem pensa que isso é para valer. Na verdade, queriam manter-se nos holofotes e escolher o tema das discussões.

A reunião de Bolsonaro com os diplomatas para falar mal das urnas em que se elegeu por mais de vinte anos foi absurda. Ou não: para o presidente, é melhor que discutam o inglês mambembe de sua assessoria e a ideia boba, e não o preço do leite e da carne. Alta de preços é tema de interesse de toda a população. Uma chatíssima discussão cheia de fatos duvidosos não causa prejuízo eleitoral nenhum.

Quem não é bolsonarista critica; quem é fará tudo para explicar como aquela atitude foi brilhante ou correta. E ninguém vai mudar de ideia por causa disso. Boa parte dos eleitores não vai perder seu tempo discutindo fragilidades cibernéticas e como corrigi-las.

Ah, confirma que o presidente pensa num golpe? De novo, os bolsonaristas negam que ele pense num golpe e, se ele tentar o golpe, descobrirão um bom motivo para o apoiar. E os antibolsonaristas estão convencidos de que ele só pensa nisso.

Esse tipo de discussão serve apenas para ocultar o que deve ser discutido.

(*) Carlos Brickmann é jornalista, consultor de comunicação e colunista.

O vexame

Reinaldo Azevedo (*)

A vergonha a que [Bolsonaro] submeteu o país na reunião com embaixadores, deixando-se ladear por generais não menos golpistas do que ele próprio, indica que é chegada a hora de reagir.

O país precisa saber onde estão os empresários que consideram a democracia inegociável e onde estão os negociantes de democracia. A hora é agora, não depois.

Como se viu, na conversa com os embaixadores, Bolsonaro sugere que está apenas defendendo a democracia. Nunca a pistolagem antidemocrática, que se fantasia de verde-amarelo, chegou tão longe.

(*) Reinaldo Azevedo é jornalista, analista político e blogueiro.

Bolsonaro e os militares

Bolsonaro e chefes militares em reunião

Marcelo Godoy (*)

O Brasil tem atualmente na função de ministro da Defesa o general Paulo Sérgio Oliveira que, durante recente reunião ministerial, tratou das urnas eletrônicas, plantando dúvidas como a de que as Justiças Eleitorais dos Estados não fariam a soma dos votos para presidente.

Qualquer escrevente do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo sabe o tamanho dessa impostura. A magistratura paulista pode dar seu testemunho da lisura das eleições. Duvidar dela é ofender a honra de centenas de juízes que trabalham a cada ciclo eleitoral. E quem o faz tem apenas um objetivo: manter as sinecuras de uns tantos espertalhões em Brasília.

(*) Marcelo Godoy é jornalista especializado em assuntos militares. O texto foi extraído de artigo de 11 jul° 2022.

Eremildo, o idiota

Elio Gaspari (*)

Eremildo é um idiota e acredita em tudo que o governo diz. Ele aplaudiu de pé o decreto que obriga os postos de gasolina a mostrar a evolução do preço do litro.

O cretino sugere a expansão da medida. As quitandas seriam obrigadas a mostrar o preço do tomate, do arroz e do feijão antes da posse de Bolsonaro. A gasolina, por exemplo, custava R$ 2,60.

(*) Elio Gaspari é jornalista. O texto é parte de artigo publicado em 10 jul 2022 n’O Globo. Aqui para assinantes.

Brincando com fogo

Carlos Brickmann (*)

Chega! A escalada de provocações está criando um ambiente político em que alguma tragédia acabará acontecendo. Os dois principais candidatos têm adeptos fervorosos, que odeiam o adversário. Há grupos perigosos de ambos os lados: ou milicianos ou invasores (e destruidores) de propriedades. Para os dois principais candidatos, ideias, rumos, planos são bobagens. Ambos se oferecem como produtos contrabandeados: “La garantía soy yo”. Que se pode esperar de uma campanha suja, marcada por raiva e agressividade?

Já existem faíscas. Jogaram fezes e urina no carro do juiz que ordenou a prisão do ex-ministro acusado de terceirizar a distribuição de verbas. Já deram um tiro nas janelas do jornal Folha de S.Paulo. Jogaram uma garrafa de urina e fezes (deve ser padrão), numa garrafa com explosivos, no comício de Lula no Rio. Há dias, militantes de um grupo comunista impediram uma palestra de políticos adversários na Unicamp – numa universidade!

Por enquanto a coisa está limitada à grosseria e à falta de educação. Mas basta que um desses grupos nojentos encontre alguém irritado que acelere o carro e atropele alguém, ou um dos milhares de clientes das lojas de armas, para que haja a tragédia completa. Vamos fingir que não vemos até que alguém seja morto? A eleição existe para que o eleitor escolha seus dirigentes sem a necessidade de luta armada. Se é para haver luta armada, para que eleição?

Não é exagero: a Primeira Guerra Mundial começou com um atentado.

(*) Carlos Brickmann é jornalista, consultor de comunicação e colunista.

A Amazônia não é brasileira

Ascânio Seleme (*)

São tolos e mal informados os que pensam que a Amazônia é brasileira. Não é. A floresta não pertence a Brasil, Colômbia, Venezuela, Peru, Equador, Guianas. Sua imensidão territorial se estende por esses países e colônias, mas sua importância ultrapassa toda e qualquer fronteira.

Parece que ainda vai demorar muito até que se perceba que, para salvar o mundo, será necessária uma política globalmente estruturada para defender a Amazônia. Pode ser tarde.

Por ora, quem tenta proteger a floresta de seus algozes são homens bons como Bruno Pereira e Dom Phillips. E esses são sistematicamente sabotados por governos ou assassinados por pessoas com interesses contrariados.

(*) Ascânio Seleme é jornalista. Trecho de artigo publicado no jornal O Globo.

ETs

Carlos Brickmann (*)

Um sábio empresário disse certa vez a este jornalista que se alguma coisa só existe no Brasil, e não é jabuticaba, não presta. Pois vamos em frente.

Como se sabe, o Senado não costuma trabalhar às sextas-feiras. Mas nesta sexta, 24, o Senado trabalhou: comemorou o 75º aniversário do Dia Mundial dos Discos Voadores, por iniciativa do senador Eduardo Girão, do Podemos do Ceará.

Na sessão, o ex-deputado Wilson Picler disse que quase um terço dos brasileiros acreditam em ETs; e mais da metade dos ateus e agnósticos creem em discos voadores e seres espaciais, “mais em ETs do que em Deus”. Girão disse que o Brasil é o primeiro país a reconhecer que discos voadores existem e são extraterrestres. Chamou a sessão de “histórica”.

Fome, guerra, inflação? São temas que podem esperar a semana que vem.

(*) Carlos Brickmann é jornalista, consultor de comunicação e colunista.

Para Bolsonaro, Dom e Bruno não tinham nome

Vera Magalhães (*)

Das muitas demonstrações de falta de empatia de Jair Bolsonaro com o assassinato sórdido de Dom Phillips e Bruno Pereira, enfim confirmado depois de nove dias de desaparecimento e buscas, é espantoso que o presidente não os tenha nunca, em momento algum, chamado pelo nome.

“Esse inglês”, “os dois”, “ambos”. Para o homem que governa o Brasil, duas pessoas que morreram fazendo seu trabalho e lutando pela preservação da Amazônia e pelos direitos dos povos indígenas não tinham rosto, não tinham identidade, não tinham propósito.

(*) Vera Magalhães é jornalista.

Corrupção bolsonarista

Conrado Hübner Mendes (*)

Bolsonaro representa fração da velha política patrimonialista que dedica 100% de sua carreira a parasitar o bem público para fins pessoais. Não tem ideias, proposta política ou visão de futuro. Nunca participou de qualquer projeto coletivo ou se mobilizou por qualquer causa.

Para além da retórica em defesa da ditadura, da tortura e da violência policial, que lhe rendeu votos mas não se traduziu em ato para melhorar vida de policiais, teve vida política inócua e preguiçosa. Não consta, como deputado, uma única realização digna de nota no processo legislativo. Foi se esgueirando pelas brechas da ilegalidade tolerada.

(*) Conrado Hübner Mendes é doutor em Direito e em Ciência Política.