Amazônia à venda

José Horta Manzano


“Aqueles indivíduos bem-intencionados que […] se preocupam com o clima do planeta deveriam dedicar-se a influenciar seus próprios governos no sentido da mudança de padrões insustentáveis de produção e consumo e da utilização de energias renováveis. Nessa área, o Brasil tem muito a oferecer em conhecimento e tecnologia.

Da Amazônia nós estamos cuidando […]. A Amazônia é um patrimônio do povo brasileiro, e não está à venda.”


Não precisa nem dizer que é o autor dessa fala: é evidente que só pode ter saído da boca do capitão. Certo?

Errado! O trecho citado é parte de artigo que a Folha publicou em 2006. Os autores são Celso Amorim, Marina Silva e Sergio Machado Rezende.

É curioso constatar mais uma vez que os extremos se tocam. O tom muda, mas o nó é o mesmo. Bolsonaro já chegou a ameaçar potências estrangeiras ao afirmar que, se ousassem pôr um pé na Amazônia, “a pólvora” iria falar. Amorim e Marina Silva arredondaram o discurso ao proclamar que “a Amazônia não está à venda”, mas a paranoia é a mesma.

Tanto o capitão quanto os petistas não conseguem entender que a preocupação do mundo é com o descaso cúmplice do governo brasileiro diante da acelerada destruição da maior reserva de biodiversidade do planeta. E com as consequências que isso trará para a regulação do clima mundial.

Vamos dar um desconto. O artigo do inefável Amorim e da pasionaria Marina foi escrito 16 anos atrás. Vamos torcer pra que tenham clareado as ideias, já que são ambos cotados para participar do governo Lula. Não custa ter esperança.

Dê-me sua opinião. Evite palavras ofensivas. A melhor maneira de mostrar desprezo é calar-se e virar a página.

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