Embaixada

Embaixador da Pérsia apresenta suas credenciais ao rei Luís XIV, da França, 1715
by Antoine Coypel (1661-1772), pintor francês

José Horta Manzano

Na Antiguidade, já havia embaixadas, embora não fossem permanentes. Um rei nomeava e enviava um embaixador com a missão de negociar os detalhes de uma paz, por exemplo. Em princípio, terminada a tarefa, o embaixador voltava a seu país de origem.

Ao fim da Idade Média, entre os anos 1400 e 1700, surgiram os primeiros embaixadores permanentes, cada um representando seu rei junto a um governo estrangeiro. No início, somente os países importantes enviavam e recebiam embaixadores. A primeira embaixada da Espanha foi estabelecida no ano 1480 junto ao Vaticano – importante sede de poder à época.

Foi preciso esperar até 1961, quando a Convenção de Viena especificou e oficializou as funções diplomáticas, a inviolabilidade da correspondência e das representações, assim como a imunidade dos diplomatas. Desde então, os estatutos de embaixadas, consulados, missões permanentes e legações estão fixados e vêm sendo respeitados, salvo em situações excepcionais, como aconteceu em 1979, durante a revolução dos aiatolás do Irã, quando a embaixada americana em Teerã foi invadida e ocupada por meses.

Entre os chacoalhões que Donald Trump tem dado no funcionamento do planeta, a diplomacia parecia ter escapado. Só que isso foi até alguns dias atrás. Hoje, não mais. Faz uns dias, seu governo suspendeu o visto permanente da embaixadora do Brasil em Washington. Foi assim, sem mais nem menos, com efeito imediato. É sabido que Washington e Brasília não atravessam atualmente um período de lua de mel. Assim mesmo, um ataque aos sacrossantos usos e costumes da diplomacia ultrapassa o que se permite a uma explosão de cólera.

O Itamaraty, que é velho de guerra e já se safou de outras saias justas, vai encontrar meio de contornar o obstáculo.

O coice de Trump, no entanto, dá ensejo a um debate interessante. Será que ainda faz sentido, nos tempos atuais, manter uma rede de embaixadores espalhados pelo mundo? Numa era anterior ao avião, ao telégrafo e ao telefone, era importante – o representante acreditado de um Estado levava consigo a palavra oficial de seu governo e ganhava tempo sobre troca de correspondência. Já hoje, num tempo em que as comunicações são instantâneas, a informação periga chegar ao destinatário antes da visita do embaixador.

Os custos de manutenção de uma embaixada são elevados. Por seu lado, nas capitais mais importantes, o embaixador passa boa parte de seu tempo frequentando festas e recepções. De fato, cada um dos 150 países do mundo tem sua festa nacional, o que já representa um coquetel a cada dois ou três dias.

Se Brasília despachar um representante especial cada vez que tiver algo importante a comunicar a determinado governo estrangeiro, a conta final sairá muito mais baixa do que o custo de uma representação diplomática. Mesmo que o enviado vá de classe business.

Se o douto leitor e a arguta leitora tiver uma observação, não se acanhe. Mande um comentário. Trump só cutucou minha curiosidade, não tive tempo de estudar o tema a fundo.

2 pensamentos sobre “Embaixada

  1. O Itamarati torra 5 bilhões por ano para manter embaixadas que nada fazem para incrementar o comércio do Brasil. São bandos de funcionários ganhando em dólar , viajando pra cá e pra lá. Podíamos acabar com tudo isso contratando escritórios para nos representar com recebimento de honorários por produção de resultados, deixando a responsabilidade do trato entre nações com o chanceler aqui no Brasil.

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