Lições de vida

Carlos Brickmann (*)

Dia 13 de março de 1964. Este repórter ia a pé para a Folha de S.Paulo quando encontrou uma multidão no sentido oposto: era a Marcha da Família com Deus pela Liberdade. Foi difícil atravessá-la.

Chegando à Redação, vi muita gente discutindo o tamanho da Marcha que eu tinha acabado de cruzar. Diziam que ali só havia milionários; que a Igreja ordenara aos fiéis que marchassem; ou que havia dois milhões de pessoas – uns 30% da população da cidade, na época.

Bem, milhões não caberiam, milionários não lotariam o centro, a Igreja há milhares de anos recomenda a fidelidade conjugal, sem tanta adesão. Logo depois, o secretário de Redação, Woile Guimarães, me manda coordenar a cobertura.

Fiquei orgulhoso: 19 anos de idade, um ano de jornalismo, e recebia esta missão! Eu devia ser bom mesmo. Só depois descobri que era o único a não ter opinião prévia sobre o tamanho da Marcha. Dizia apenas que tinha gente pra burro (e não era essa a palavra que usava).

(*) Carlos Brickmann é jornalista, consultor de comunicação e colunista.

Dê-me sua opinião. Evite palavras ofensivas. A melhor maneira de mostrar desprezo é calar-se e virar a página.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s