Meta olímpica

José Horta Manzano

Tanto o Comitê Olímpico quanto o Paraolímpico esquivam a questão. Nenhum dos dois dá diretiva quanto à classificação dos países no quadro de medalhas. Como se deve determinar o ranking dos países? Na falta de orientação oficial, dois critérios coexistem.

O primeiro consiste em simplesmente adicionar as medalhas, dando peso igual a cada uma delas, quer sejam de ouro, prata ou bronze. É o mais simples, mas não o mais adotado.

by Felipe Parucci, desenhista catarinense

by Felipe Parucci, desenhista catarinense

O segundo método, mais sofisticado, atribui valor diferente a cada medalha, dependendo do metal que a compõe. A de ouro vale mais que a de prata, que vale mais que a de bronze. Portanto, um hipotético país que tivesse conquistado uma medalha de ouro, nenhuma de prata e nenhuma de bronze seria classificado à frente de um outro que tivesse conquistado várias dezenas de medalhas de prata e de bronze ‒ mas nenhuma de ouro. Embora não seja oficial, esse método sofisticado é reconhecido e bem aceito universalmente.

No Brasil, tende-se a dar preferência ao primeiro método, mais simples, adicionando as medalhas e atribuindo-lhes valor igual. Uma de ouro vale uma de prata, que vale uma de bronze. Prova disso é o Comitê Olímpico nacional dar a todo medalhista um prêmio em dinheiro de montante uniforme, pouco importando a cor do troféu.

by Guillermo Mordillo Menéndez (1932-), desenhista argentino

by Guillermo Mordillo Menéndez (1932-), desenhista argentino

No início dos JOs de atletas válidos, as autoridades olímpicas brasileiras apregoaram que nossa meta era terminar nos «top ten» ‒ entre os dez primeiros. Não deu. Pelo método de classificação mais aceito, o Brasil foi o 13°.

Antes mesmo de ser dada a largada para a Paraolimpíada, ficou combinado que a meta, mais ambiciosa ainda, era entrar nos «top five» ‒ terminar entre os cinco primeiros. De novo, não deu: o Brasil ficou em 8°.

Em ambos os casos, a meta não alcançada deixou gostinho amargo de derrota e de dever não cumprido. Embora a marca de 72 medalhas conquistadas na Paraolimpíada seja resultado excelente, o melhor que o Brasil já obteve, o desconforto permanece. Que fazer?

Prever que nosso país ocupará este ou aquele lugar no quadro final implica conhecer, de antemão, o resultado dos concorrentes. É prognóstico pra lá de arriscado. Da próxima vez, sugiro ao Comitê Olímpico abster-se de arriscar profetizar a classificação ‒ é temerário.

by Ronaldo Cunha Dias, desenhista gaúcho

by Ronaldo Cunha Dias, desenhista gaúcho

Melhor será fixar como meta o número de medalhas esperadas. Para chegar a essa conta, há que somar as modalidades em que temos boas razões de crer que conseguiremos subir ao pódio.

Já estou ouvindo sua contestação, distinto leitor: «Mas, dá no mesmo!» É verdade, aparentemente dá no mesmo. Mas o impacto psicológico é diferente.

Nos Paraolímpicos de Pequim 2012, o Brasil tinha trazido 43 medalhas para casa. Se a meta fixada para Rio 2016 tivesse sido, digamos, de 50 medalhas no mínimo, as 72 que conquistamos nos teriam deixado muito mais orgulhosos e sorridentes. Pouco importando o ranking.

Dê-me sua opinião. Evite palavras ofensivas. A melhor maneira de mostrar desprezo é calar-se e virar a página.

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