José Horta Manzano
Não tenho estatísticas precisas, mas é lícito supor que, de 100 pessoas que leem a chamada, talvez 95 sigam adiante sem ler o artigo. Portanto, a redação da primeira página de edição online é crucial. Deslizes, erros de gramática, incoerências ganham visibilidade. O jornal acaba sendo julgado pelo que escreve na página principal.
Isso é o que penso eu. Tudo indica, no entanto, que responsáveis pela apresentação do veículo não sejam da mesma opinião. Duas esquisitices foram cometidas na chamada acima.
A palavra explosiva dispensa as aspas. De fato, não se trata de ironia nem de exagero: foi assim que a OMS descreveu a epidemia. Nada justifica o par de urubus.
Pior que isso, é o erro de concordância. “Falta psicólogos”? Ai, ai, ai… Quer dizer que psicólogos falta? Tsk, tsk. Este blogueiro é do tempo em que o verbo concordava com o sujeito em número e pessoa. Deve ser a ‘Pátria Educadora’ apostando firme na novilíngua.
No mesmo momento, O Globo dava chamada semelhante. Não cercou a palavra explosiva de aspas. Acertou. Ainda por cima, escreveu vírus zika na ordem conveniente, fugindo ao exótico ‘zika vírus’. Fez bem.

