Cloroquina – 4

José Horta Manzano

Dois meses atrás, um decreto do governo francês havia autorizado a utilização da cloroquina para tratamento da covid-19. Desde então, muita água correu debaixo do rio Sena, milhares de cidadãos morreram e outros milhares se safaram da doença. Tratados ou não com o remédio polêmico, frise-se.

Faz alguns dias, como informei neste blogue, a revista médica britânica The Lancet publicou resultado de portentoso estudo feito com 96.000 pacientes. Chegou-se à conclusão de que nem a hidroxicloroquina nem seus derivados são eficazes contra a covid-19 em pacientes hospitalizados. Além de não fazer bem, o danado do medicamento ainda aumenta o risco de acidentes cardíacos. Cruz-credo!

As autoridades sanitárias francesas decidiram não arriscar. Nesta quarta-feira, 27 de maio, saiu um decreto no Journal Officiel (Diário Oficial) revogando a autorização dada em março. A partir de hoje, fica proibido administrar cloroquina para tratamento de covid-19. A única exceção fica por conta de pesquisas médicas com pacientes voluntários.

Doutor Bolsonaro já demonstrou que odeia a ciência. Além disso, é monoglota. Logo, é compreensível que não tenha lido o estudo publicado em The Lancet. Mas será que ninguém na sua assessoria ouviu falar, nem de leve, no assunto?

Isso vai acabar dando a impressão de que algum figurão do primeiro escalão é acionista do laboratório fabricante; e que prefere manter os ganhos financeiros à custa da saúde da população.

Cloroquina – 3

José Horta Manzano

Acaba de sair a notícia. The Lancet, uma das três revistas médicas mais respeitadas do mundo, publicou hoje o resultado de pesquisa sobre ganhos & perdas ligados ao uso da cloroquina em pacientes atingidos pela covid-19.

O estudo, levado a cabo entre dezembro 2019 e abril 2020 em 671 hospitais ao redor do globo, esmiuçou o prontuário de 96 mil doentes internados. Chegou à conclusão de que o uso desse remédio não trouxe nenhum benefício, enquanto os malefícios foram notáveis. Mesmo nos casos em que foi associada a antibióticos, a cloroquina aumentou em 45% os casos de morte por arritmia cardíaca ventricular. Com ou sem tratamento coadjuvante, a esperança de vida dos doentes encurtou.

É imprecionante como esse pessoal age. Vejam só: 96 mil doentes e 671 hospitais unidos em perfeita cumplicidade – e ao redor do mundo! – de propósito só para contradizer as orientações de doutor Bolsonaro. É imprecionante a desonestidade intelectual desse pessoal. Fazer isso logo com nosso presidente, sempre tão ponderado, refletido e preocupado em acertar. É injusto! É um complô comunista! Assim não dá.