Lunfardo ‒ bis

Texto publicado originalmente em 19 dez° 2012

José Horta Manzano

Você sabia?

Lunfardo é a gíria que nasceu e cresceu em Buenos Aires, na malavita portenha, no submundo dos fora da lei. Com o passar das décadas, um número cada vez maior de expressões foi caindo, digamos assim, no ‘domínio público’. Palavras e expressões antes reservadas a bandidos são hoje utilizadas no dia a dia por pessoas comuns.

Surpreendentemente, muitos desses termos de argot argentino passaram ao português brasileiro. Não se sabe direito se atravessaram a fronteira ou se terão vindo de contrabando embutidos na letra de velhos tangos. Talvez um pouco de cada. O fato é que usamos, sem saber, gíria importada. Para os ultranacionalistas, pode até parecer um escândalo. No fundo, é simplesmente um aporte a mais, uma contribuição para a riqueza de nossa fala.

by Liliana Rago, artista argentina

Aqui está uma pequena coletânea de expressões lunfardas que aparecem na gíria brasileira.

Lunfardo    Brasileiro
—————————————————————————————————————————————————-
Machete     Macete (ajuda-memória)
—————————————————————————————————————————————————-Malandro    Malandro
—————————————————————————————————————————————————-
Piráo       Pirado
—————————————————————————————————————————————————-
Mamado      Mamado (bêbado)
—————————————————————————————————————————————————-
Campana     Campana (ajudante de ladrão que vigia)
—————————————————————————————————————————————————-
Mancar      Se mancar (compreender)
—————————————————————————————————————————————————-
Cana        Cana (prisão)
—————————————————————————————————————————————————-
Matina      Matina (manhã cedo)
—————————————————————————————————————————————————-
Mortadela   Presunto (cadáver)
—————————————————————————————————————————————————-
Patota      Patota (bando)
—————————————————————————————————————————————————-
Punga       Punguista (batedor de carteira)
—————————————————————————————————————————————————-
Vivo        Vivo (astuto)
—————————————————————————————————————————————————-
Bacanazo    Bacana (refinado)
—————————————————————————————————————————————————-
Bancar      Bancar (pagar)
—————————————————————————————————————————————————-
Dar bola    Dar bola (prestar atenção)
—————————————————————————————————————————————————-
Bronca      Bronca (raiva)
—————————————————————————————————————————————————-
Chupado     Chupado (bêbado)
—————————————————————————————————————————————————-
Burro       Burro (ignorante) (1)
—————————————————————————————————————————————————-
Tira        Tira (investigador de polícia)
—————————————————————————————————————————————————-
Labia       Lábia
—————————————————————————————————————————————————-
Mina        Mina (moça)
—————————————————————————————————————————————————-
Llenar      Encher (aborrecer)
—————————————————————————————————————————————————-
Lleno       Cheio (mal-humorado)
—————————————————————————————————————————————————-
Cabrero     Cabreiro (furioso)
—————————————————————————————————————————————————-
Mangos      Reais (dinheiro)
—————————————————————————————————————————————————-
Caradura    Caradura
—————————————————————————————————————————————————-
Catinga     Catinga (mau cheiro corporal)
—————————————————————————————————————————————————-
Manyado     Manjado (conhecido)
—————————————————————————————————————————————————-
Chumbo      Chumbo (bala de revólver) (2)
—————————————————————————————————————————————————-
Pechar      Peitar
—————————————————————————————————————————————————-
Coco        Coco (cabeça)
—————————————————————————————————————————————————-
Gozar       Gozar (zombar) (3)
—————————————————————————————————————————————————-
Grupo       Grupo (mentira, história inventada)
—————————————————————————————————————————————————-
Gurí        Guri (criança) (4)
—————————————————————————————————————————————————-

(1) Normalmente, burro é usado para qualificar indivíduo cabeçudo

(2) Chumbo (o elemento) é palavra portuguesa. Em espanhol, diz-se plomo. Poderia bem tratar-se de palavra exportada do português para o lunfardo.

(3) Os espanhóis usam gozar com o sentido de passar um bom momento. Para dizer zombar, preferem mofarse

(4) Alguns etimólogos atribuem a essa palavra origem tupi, o que explicaria que se encontre no castelhano platino e também no português do Brasil

Mandrake e arrego

José Horta Manzano

De criança, a gente não gastava horas diante de video games. Não que faltasse vontade, é que simplesmente essas engenhocas não existiam. Brincadeiras não vinham feitas, exigiam maior criatividade dos participantes. Um exemplo era o Mandrake Licença. Mandrake era personagem de história em quadrinhos, um herói de capa e bastão, que tirava coisas incríveis da cartola.

De repente, um menino se dirigia a outro e ordenava: «Mandrake, licença!» Seguindo a regra da brincadeira, o outro tinha de permanecer imóvel, na posição em que se encontrasse, sem mexer um músculo. Tinha de continuar estático por alguns instantes até que o mandante o liberasse pronunciando «Licença!». Pronto estava acabada a brincadeira. Sem graça? Visto de hoje, é. Mas que a gente se divertia, ah!, a gente se divertia.

mandrake-1E quando a gente brincava de brigar, então? Dois se atracavam, até que um dos dois agarrasse o outro pelo pescoço e lhe aplicasse uma gravata, golpe supremo. Vendo-se vencido, o «engravatado» pedia arrego.

Arrego, tudo indica, é corruptela do castelhano arreglo, palavra que nos chegou mui provavelmente por via do lunfardo falado nas bordas do Rio da Prata. Na língua espanhola, a expressão é mais comum e mais usada que entre nós. Deriva de regla ‒ regra. Arreglar é ajustar, consertar, modificar algo para respeitar a regra. Assim, arreglo corresponde a nosso acerto.

Estive lendo que investigadores da Lava a Jato apresentaram proposta de delação premiada ao clã Odebrecht, o que desencadeou maratona de confabulações entre os que têm algo a contar e respectivos advogados. Segundo a Folha e o Estadão, uma ala de um grande hotel de Brasília foi reservada especialmente para acolher o mundaréu de participantes do conclave.

gravata-1Não sendo especialista em processo penal, muito menos em mecanismos de delação, posso não ter entendido bem. Todavia, dizem os jornalistas que foram os investigadores a apresentar proposta ‒ envelope fechado, parece ‒ já com definição de pena ao acusado principal, o herdeiro do império Odebrecht. Achei esquisito.

Em primeiro lugar, na minha ingenuidade, imaginava que coubesse ao «engravatado» pedir arrego, não ao «engravatador» oferecê-lo. Em segundo lugar, a mesma ingenuidade me levava a crer que tocasse à parte ameaçada tomar a iniciativa.

Acreditava que competia aos acusados procurar os investigadores, dar uma ideia das informações e das provas de que dispõem e comprometer-se a contar tudo, absolutamente tudo. Só após análise dos dados é que a acusação aceitaria (ou não) a proposta de delação. Quanto ao grau de atenuação da pena, é discussão que deveria ficar para mais adiante. O «engravatador» deve manter-se sempre senhor da situação.

Parece que estão trocando os pés pelas mãos. Mas devo ter entendido errado. «Mandrake, licença!»

Coisas estranhas

José Horta Manzano

É grande a influência exercida pela gíria da malavita portenha ― o lunfardo ― sobre a fala brasileira. Em dez° 2012, escrevi um artigo sobre o assunto. Está aqui no blogue, para quem perdeu.

Meu atenciosos leitores já devem ter-se dado conta de que tenho grande interesse por línguas e, principalmente, pelas relações e pelo entrelaçamento entre elas. Acho fascinante constatar a solução que cada povo encontra para suprir seu estoque de palavras quando lhe falta alguma.

É proibido colar

É proibido colar

Há casos em que o termo estrangeiro é importado na forma original, sem mudar uma letra. A palavra vinda de fora pode também, às vezes, ser adaptada à forma ou à fonética da língua que a recebe. Há casos ainda em que nova palavra é criada para nomear a novidade. Conquanto haja línguas mais criativas que outras, todas se valem de todos os métodos: cópia, adaptação, criação de novo termo. Cada caso é um caso.

Fui, durante uns 20 anos, assinante da revista Veja. Nos tempos pré-históricos em que não havia internet, era uma das raras maneiras de manter vivo o cordão umbilical que saía daqui e desembocava em terra tupiniquim. Embora chegassem com atraso de uma ou duas semanas, as notícias vinham. Não fosse isso, o divórcio se teria consumado. De uns dez anos para cá, o advento da rede sacudiu as comunicações. Receber informação sobre fatos ocorridos duas semanas antes deixou de fazer sentido nestes tempos de transmissões ao vivo. Cancelei minha assinatura.

Contei tudo isso para chegar ao assunto de hoje. Dois dias atrás, recolhi na rede um artigo sobre a influência da gíria argentina na fala brasileira. Em meio a passeio despretensioso, encontrei-o no blogue de Ricardo Setti, alojado no site da revista Veja. O escrito é atribuído a José Roberto Guzzo, medalhão da revista há 45 anos. É justamente o articulista que, semana sim, semana não, escrevia o texto da última página, alternando com Pompeu de Toledo ― não sei se o regime continua. Transcrevi o artigo neste blogue sem esquecer de lhe dar o devido crédito, evidentemente.

Semana passada, um amigo gaúcho, conhecedor de meu interesse por relações linguísticas, me tinha sugerido que desse uma espiada numa entrevista dada por um professor a uma emissora de tevê do Rio Grande. O entrevistado tecia justamente comentários sobre a influência do lunfardo no falar nosso. Não tive tempo de seguir a sugestão naquela hora. Os dias se passaram, e só hoje fui conferir.

O vídeo traz a edição de 15 de outubro do programa Jornal da Pampa, emissão diária da TV Pampa. Quem quiser dar uma olhada vai encontrar o vídeo aqui no youtube.  Era dia do professor. A âncora do programa estava recebendo vários convidados ilustres, entre os quais o professor Jarbas Lima, advogado, político e professor universitário, um figurão.

É proibido colar

É proibido colar

Levei um susto. Lá pelo minuto 13:30, Jarbas Lima realmente discorre sobre as marcas de tingimento que nosso falar guardou do lunfardo. Observador que sou, notei também que certas expressões utilizadas pelo professor Lima foram reproduzidas ipsis litteris no artigo de Guzzo. «Os brasileiros somos os maiores importadores de palavras argentinas» é a fala inicial do professor, como também consta da introdução do artigo da Veja. Para simbolizar a chegada (de navio) do vocabulário portenho ao Brasil, o professor Lima menciona o porto de Santos e a Praça Mauá, no Rio de Janeiro. Guzzo usa exatamente a mesma metáfora.

Mas o mais surpreendente é a relação de palavras platinas utilizadas no nosso dia a dia. As palavras citadas pelo professor Lima são: otário, afanar, engrupir, embromar, cambalacho, bacana, bronca, fajuto, punguista, fuleiro, grana, gaita, escracho, cana, tira, lábia, patota, cabreiro, pirado, campana, mina, barra-pesada. O jornalista Guzzo cita exatamente as mesmas, declamadas na mesmíssima ordem.

Para mim, ficou evidente que um dos dois havia decalcado a ideia do outro. O programa gaúcho foi ao ar no dia 15 de outubro ― conforme comprova o vídeo do youtube. A revista Veja só foi publicada quatro dias depois. Não é difícil inferir qual é o original e qual é cópia.

Não se pode reinventar a roda diariamente. As ideias que temos são necessariamente produto da informação que recebemos. Mas é importante fazer a diferença entre um artigo inspirado em alguma ideia e uma transcrição do pensamento de alguém. O fato de o artigo não ter citado a fonte é particularmente deselegante. O jornalista demonstrou que realmente acredita no fecho de seu próprio texto: o Brasil é um país de otários.

Interligne 18cResumindo:

Meu artigo “Lunfardo”, de 19 dez° 2012
Programa Jornal da Pampa de 15 out° 2013
Artigo de J.R.Guzzo transcrito no blogue de Ricardo Setti, 19 out° 2013
Artigo de J.R.Guzzo transcrito neste blogue em 20 out° 2013

Clientela ideal

J. R. Guzzo (*)

O Brasil, como bem sabem os estudiosos da língua portuguesa tal como ela é falada por aqui, é o maior importador mundial de palavras argentinas. Não espanholas, como a conhecida caramba, por exemplo – argentinas mesmo, ou, mais precisamente, portenhas, vindas diretamente das calçadas mais pobres de Buenos Aires para o cais do Porto de Santos e a Praça Mauá, no Rio de Janeiro, de onde transbordaram para o Brasil todo ao longo dos anos.

Essas palavras e expressões vêm do lunfardo, ou “lunfa”, linguajar obscuro, enigmático e com vocabulário descolado do castelhano oficial da Real Academia Española; a maior parte dele pouco ou nada significa na Espanha, no México ou no Peru. Não chega a ser um idioma, mas é bem mais que uma gíria; aparentemente surgiu no fim do século XIX como meio de comunicação entre presidiários, criminosos em geral, proxenetas, vigaristas, batedores de carteira, vadios e outros malvivientes do submundo de Buenos Aires.

Dali se incorporou ao falar da rua, nos bairros pobres dos quais La Boca é o símbolo mais conhecido dos brasileiros, e logo em seguida às letras de tango – das quais, enfim, passou para o mundo.

Ou melhor: para o Brasil. O resto do mundo pode repetir palavras cantadas por Gardel, mas não as utiliza na sua linguagem corrente. Aqui, porém, entraram com todo o gás, e há décadas fazem parte do dia a dia do português falado pelos brasileiros.

A lista não acaba mais: otário, afanar, engrupir, embromar, cambalacho, bacana, bronca, fajuto, punguista, fuleiro, grana, gaita, escracho, cana, tira, lábia, patota, cabreiro, pirado, campana, mina (não no sentido geo­lógico), barra-pesada, e por aí se vai.

Haveria, na preferência nacional pela importação de palavras com esse tipo de significado, entre tantas outras que o lunfardo oferece, alguma atração especial da alma brasileira pela linguagem da marginalidade?

É coisa para os profissionais do ramo responderem, mas certas realidades não se podem negar: feitas todas as contas, a palavra argentina que teve mais sucesso no Brasil, do seu desembarque até o dia de hoje, é “otário”. Amamos essa palavra. Quer dizer: amamos essa palavra quando ela é aplicada aos outros ou, mais exatamente, quando não é aplicada a nós. Vale, então, como uma espécie de certidão negativa, que nos absolve de tudo aquilo que não queremos ser – bobos, enganados, passados para trás.

No Rio de Janeiro, especialmente, é coisa muito séria, do milionário ao engraxate, manter durante a vida uma reputação de não otário. Vale para o Brasil todo, é claro – ser chamado de otário, em qualquer ponto do território nacional, é ofensa grave. Mas no Rio, por alguma razão que é melhor deixar para a apreciação dos mestres em psicologia social, é insulto maior ainda – assim como é um orgulho, assumido ou disfarçado, considerar-se portador da imagem oposta, a do “malandro”.

Depende, naturalmente, da circunstância e do jeito com que a palavra é usada, mas é frequente que o indivíduo classificado como malandro sinta que recebeu um elogio. Vale como um genérico para todo tipo de avaliação positiva: ser tido como malandro é ser tido como inteligente, esperto, habilidoso, experiente, prático, capaz de cuidar de si mesmo, vacinado contra a suprema humilhação de “ficar no prejuízo”.

É comum, no Rio, o sujeito trabalhar de sol a sol, cozinhando no meio de um calor de 40 graus na operação de uma britadeira de rua ou na direção de um ônibus urbano, ganhando uma mixaria e sendo barrado na entrada de tudo aquilo que se considera “vantagens da vida”.

Ao mesmo tempo, sabe que é roubado todos os dias, que o governador do Estado usa helicópteros oficiais, mantidos à sua custa, para transportar seu cachorrinho de estimação entre o Rio e Mangaratiba, e que a casa onde mora pode vir abaixo nas próximas chuvas de verão. Não importa: ele vai morrer achando que foi um grande malandro, e que otários são os outros.

É uma situação de sonho para governantes, vendedores de ilusões e vigaristas de todas as especialidades; têm à sua disposição, sempre, uma clientela que é tola o suficiente para achar que não é tola nunca. O Brasil da esperteza, onde se cultua a “malandragem” em tudo, é, na verdade, um dos países mais crédulos do mundo.

Há poucos, do seu porte, com tantos ludibriados, ingênuos, trapaceados, compradores de mercadoria falsa vendida pela marquetagem política, levados na conversa por palavrório de palanque, prontos a acreditar em farsantes notórios – enfim, e com o perdão da palavra, com tantos otários.

(*) Por J.R.Guzzo, no blogue de Ricardo Setti

Lunfardo

Buenos Aires

Você sabia?

José Horta Manzano

Lunfardo é a gíria que nasceu e cresceu em Buenos Aires, na malavita portenha, no submundo dos fora da lei. Com o passar das décadas, um número cada vez maior de expressões foi caindo, digamos assim, no “domínio público”. Palavras e expressões antes reservadas a bandidos são hoje utilizadas no dia a dia por pessoas comuns.

Surpreendentemente, muitos desses termos de argot argentino passaram ao português brasileiro. Não se sabe direito se atravessaram a fronteira ou se vieram de contrabando embutidos na letra de velhos tangos. Talvez um pouco de cada. O fato é que usamos, sem saber, gíria importada. Para os ultranacionalistas, pode até parecer um escândalo. No fundo, é simplesmente um aporte a mais, uma contribuição para a riqueza de nossa fala.

Aqui está uma pequena coletânea de expressões lunfardas e suas correspondentes brasileiras

Lunfardo       Brasileiro
———————————————————————–
Machete          Macete (ajuda-memória)
———————————————————————–
Malandro         Malandro
———————————————————————–
Pirao                 Pirado
———————————————————————–
Mamado            Mamado (bêbado)
———————————————————————–
Campana         Campana (ajudante de ladrão que vigia)
———————————————————————–
Mancar             Se mancar (compreender)
———————————————————————–
Cana                 Cana (prisão)
———————————————————————–
Matina              Matina (manhã cedo)
———————————————————————–
Mortadela         Presunto (cadáver)
———————————————————————–
Patota               Patota (bando)
———————————————————————–
Punga              Punguista (batedor de carteira)
———————————————————————–
Vivo                  Vivo (astuto)
———————————————————————–
Bacanazo         Bacana (refinado)
———————————————————————–
Bancar               Bancar (pagar)
———————————————————————–
Dar bola           Dar bola (prestar atenção)
———————————————————————–
Bronca             Bronca (raiva)
———————————————————————–
Chupado         Chupado (bêbado)
———————————————————————–
Burro                Burro (ignorante) (1)
———————————————————————–
Tira                   Tira (investigador de polícia)
———————————————————————–
Labia                 Lábia
———————————————————————–
Mina                 Mina (moça)
———————————————————————–
Llenar               Encher (aborrecer)
———————————————————————–
Lleno                Cheio (mal-humorado)
———————————————————————–
Cabrero            Cabreiro (furioso)
———————————————————————–
Mangos            Reais (dinheiro)
———————————————————————–
Caradura          Caradura
———————————————————————–
Catinga             Catinga (mau cheiro corporal)
———————————————————————–
Manyado           Manjado (conhecido)
———————————————————————–
Chumbo            Chumbo (bala de revólver)
———————————————————————–
Pechar               Peitar
———————————————————————–
Coco                  Coco (cabeça)
———————————————————————–
Gozar                 Gozar (zombar) (2)
———————————————————————–
Grupo                Grupo (mentira, história inventada)
———————————————————————–
Gurí                    Guri (criança) (3)
———————————————————————–

(1) Normalmente, burro é usado para qualificar alguém cabeçudo
(2) Os espanhóis usam gozar com o sentido de passar um bom momento. Para dizer zombar, preferem mofarse
(3) Alguns etimólogos atribuem a essa palavra origem tupi, o que explicaria que se encontre no castelhano platino e também no português do Brasil