Crista alta

José Horta Manzano

Talvez o distinto leitor já se tenha dado conta: doutor Bolsonaro está mais manso. Oh, não digo que se tenha civilizado de todo. Longe disso! Continua soltando coices, dando pinotes e relinchando feito potro bravo. Mas, aos poucos, vai-se amansando.

Lembram-se da bravata inicial, aquela da transferência da embaixada em Israel de Tel-Aviv pra Jerusalém? Essa provocou até a visita do premiê israelense, única personalidade não latino-americana presente à cerimônia de tomada de posse. Pois a veleidade já foi pra lata do lixo.

De lá pra cá, à força (ou por falta de força), fanfarronices e outras farofas têm sido varridas. A Cancún brasileira na baía de Angra dos Reis, em área de reserva natural? Pode esquecer! E por quê?

by Alisson Affonso (1979-), artista gaúcho

Porque, caso ele ousasse mandar tocar um projeto desse calibre, o mundo civilizado lhe desabaria sobre o cocuruto. Receberia ameaças de toda parte. Tratados de cooperação seriam denunciados. Ajuda financeira seria cortada. Retaliação pesada viria por aí.

O planeta tem regras, algumas escritas, outras habituais ainda que não contratuais – customary, como dizem os ingleses. Só quem pode passar por cima delas é quem tem muuuito poder. Donald Trump, por exemplo, que tem nas mãos as rédeas da maior potência do planeta.

Estados estão sujeitos a um emaranhado de leis, obrigações, dívidas, deveres. Não dá pra fazer de conta que o Brasil é um planeta à parte. Não é assim que funciona. Doutor Bolsonaro é café pequeno perto dessa gente graúda. Vai ter de se amansar, goste ou não.

Aliás, já deve estar se dando conta de que cada pronunciamento seu é um desastre que acaba sendo prejudicial pra ele mesmo. Embora não seja um luminar, tampouco é totalmente tapado. Portanto, aos poucos, de tanto levar pancada, vai acabar aprendendo. Vai baixar a crista e acabar se tornando um presidente comum. E que tome cuidado e ande na linha, que é pra não terminar em Curitiba, como um conhecido antecessor.