Briga de bandido

José Horta Manzano

Não sou especialista em política africana, mas sei que, perto do que acontece em alguns daqueles países, nossos trambiques nacionais ficam parecendo troca de figurinhas entre garotos batendo bafo. Será que alguém ainda bate bafo? Será que ainda existem cromos e figurinhas? Será que alguém ainda coleciona estampas e preenche álbuns?

Estive lendo n’O Observador, jornal português, um artigo abracadabrante sobre os caminhos da corrupção nas altas esferas da política angolana. Angola é uma das antigas colônias de Lisboa na África, daí o interesse lusitano pelo que lá ocorre.

Pra dizer a verdade, não entendi (nem procurei entender) o enredo de cabo a rabo. Trata-se de um monstruoso escândalo de corrupção, com dezenas de pessoas envolvidas entre portugueses, espanhóis e angolanos. Os montantes que passaram de mão em mão não fazem feio diante do que vimos na Lava a Jato. (Alguém se lembra da operação enterrada por Bolsonaro?)

Dezenas de milhões pra cá, outras dezenas pra lá, umas migalhas de 200 mil dólares pra um certo Manuel, 150 mil para um tal de Mangueira, 100 mil para o Gomes. Ministros, ministros sem pasta mas exercendo ‘de facto’, assessores que “mandavam mais que ministro”, ex-ministros aparecendo na folha de pagamentos de empresa fornecedora de serviços ao Estado angolano.

As investigações, que já se arrastam por mais de 7 anos, ainda não chegaram ao fim. Os crimes incluídos no balaio são de corrupção, fraude,  falsificação de documentos, organização criminosa (=formação de quadrilha) e branqueamento de capitais (=lavagem de dinheiro). Como se vê, em matéria de trambique, não temos mais nada a ensinar a eles. Já sabem tudo.

Recentemente, Bolsonaro enviou o vice-presidente a Luanda para tentar aliviar a barra da Igreja Universal de Edir Macedo, que anda com a imagem manchada por lá. Aliás, foi reprovado ao capitão ter mandado um político oficial, em viagem oficial paga pelos cofres públicos, pra resolver o problema particular de uma seita amiga. Até agora, não houve consequências. É possível que tudo fique por isso mesmo.

A tal Igreja amiga de Bolsonaro anda bem enrolada em Angola. Seus dirigentes são acusados de traquinagens como roubo, extorsão de fundos, adultério, atentado contra menores de idade, sonegação. Não é coisa pouca. Uma centena de membros graduados da igreja (pastores), todos brasileiros, já foram expulsos do país.

Choque de ministros
É permitido crer que ministros corruptos do governo angolano possam ter entrado em choque frontal com ministros corruptos da seita brasileira.  Talvez o problema seja a invasão de território. Fiquei imaginando que a implantação da seita de Macedo em Angola deve ter sido como se uma tropa do Comando Vermelho (CV, do Rio de Janeiro) elegesse residência em território do Primeiro Comando da Capital (PCC, de São Paulo). Não ia ficar por isso mesmo.

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