Kíruna

José Horta Manzano

Você sabia?

Em meados do século 17, um morador do norte da Suécia encontrou, ao passear pelo campo, uma estranha pedra de cor preta. Por curiosidade, levou-a pra casa e depois entregou-a a comerciantes de passagem. Estes mandaram examinar o pedregulho. Constatou-se que se tratava de minério de ferro. Naqueles tempos recuados, a descoberta não apresentava grande interesse. Ficou por isso mesmo.

Duzentos e cinquenta anos mais tarde, o avanço da Revolução Industrial fez crescer a importância do ferro. De fato, ferro + carvão = aço, o principal insumo da indústria pesada. Em 1890, uma empresa iniciou a exploração sistemática do mineral. Em volta da mina, naquelas lonjuras nevadas pra lá do Círculo Polar, nasceu um povoado.

Kíruna – vista geral

Com o tempo, o vilarejo cresceu até converter-se na cidadezinha de Kíruna, hoje com quase 20 mil habitantes. E a exploração do minério continuou e se tornou a maior mina de ferro subterrânea do mundo. Depois de mais de um século de escavação, o buraco ‒ cada vez mais extenso e profundo ‒ tornou-se uma ameaça para a cidade. De fato, o perigo é grande de afundarem todos, casas e gentes. Isso pode acontecer a qualquer momento sem aviso prévio.

Conscientes do risco, dirigentes da mina e autoridades locais tomaram a decisão de deslocar a cidade. O sítio escolhido para receber os habitantes fica três quilômetros a leste. Estudos preliminares calcularam que a mudança levaria cem anos. Um escritório de arquitetura norueguês apresentou projeto para levar a cabo a transposição em menos de 20 anos. Foi contratado.

Kíruna no inverno

Calcula-se que o custo da operação, inteiramente pago pela mineradora, será de um bilhão de dólares. As construções antigas e históricas ‒ como a igreja e a torre do relógio público ‒ serão desmontadas e reconstruídas na nova localização. Quanto às casas, os proprietários têm duas opções. Se quiserem, podem vender sua propriedade. Nesse caso, a mineradora pagará o preço de mercado acrescido de 25%. Se preferirem, abandonarão o imóvel e receberão um novo, de tamanho equivalente, situado na nova cidade.

Parte da população já está instalada na nova Kíruna. Prevê-se que, já nos anos 2020, a operação esteja bem adiantada. Os moradores acataram a decisão com bom humor. Entendem que não há outro jeito: é mudar ou… afundar.

Nota
Fiquei pensando no desastre que a imprudência da mineradora Samarco causou a Mariana e ao vale do Rio Doce. A Companhia Vale ‒ uma das maiores e mais ricas mineradoras do planeta ‒ é uma das duas controladoras da Samarco. Estão brigando na justiça até hoje, empurrando a culpa para terceiros. Que diferença…

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