Lula da Silva: o que vai sobrar

José Horta Manzano

Por unanimidade, o STJ confirmou a culpa de Lula da Silva. O ex-presidente se transforma assim em condenado em terceira instância. É dureza, meu irmão. São já dois tribunais colegiados a confirmar, por unanimidade, o entendimento da primeira instância. A duração da pena – que atende pelo curioso nome de ‘dosimetria’ – foi reduzida para estabilizar-se ligeiramente abaixo da que tinha sido imposta por doutor Moro. São só sete meses a menos.

É boa notícia essa decisão do STJ? Depende. A resposta não pode ser dada simplesmente com um sim ou um não. O assunto é um pouco mais complexo. Para muitos dos seguidores do Lula, é a grande notícia da temporada, aquela que põe o demiurgo mais próximo de uma afrouxamento da prisão: regime semiaberto ou prisão domiciliar. No outro polo, para muitos dos detratores do ex-presidente, a notícia é decepcionante, exatamente pelas mesmas razões: o Lula fica mais próximo de uma prisão aliviada.

Cada um é que sabe onde lhe aperta o sapato. Para o Brasil, de qualquer modo, a notícia não é nada boa. Não porque o condenado deva cumprir pena mais longa ou mais curta. Isso, para nós que estamos fora da cadeia, é de pouca importância. O que nos deixa a todos amargurados é o fato de o STJ ter confirmado que Lula da Silva é mesmo corrupto.

É uma mancha que, cada dia mais, vai se entranhando e marcando nossa história. A não ser que improvável reviravolta aconteça no STF e que o processo todo seja anulado por algum vício de forma, percebe-se hoje que o Brasil carregará para sempre a vergonha de ter tido um presidente condenado por ser ladrão. E justamente aquele que, eleito e reeleito, se apresentava como diferente dos demais, homem puro, bem-intencionado, disposto a dar a própria camisa pra vestir o próximo. Dos governantes recentes, foi o que melhor enganou o distinto público.

Daqui a muitos anos, quando a poeira tiver baixado e estivermos todos mortos, nossos trinetos vão considerar que esta é uma página negra de nossa história, um acontecimento que a gente gostaria de poder apagar.