Agrotóxicos

Os europeus parecem estar mais preocupados do que os brasileiros, os mais afetados

 

José Horta Manzano

Você sabia?

Leis e regulamentos são, muitas vezes, hipócritas. A maioria dos países europeus proíbe a utilização de dezenas de agrotóxicos, aqueles da pesada. Já os regulamentos de exportação desses mesmos países são bem mais condescendentes quando se trata de exportar os ditos venenos. Em resumo: fabricar e exportar pode; espalhar em solo europeu, nem pensar!

A indústria mundial de fertilizantes, integrada por firmas da estatura econômica de uma Syngenta ou de uma Bayer, é poderosíssima. Se as leis europeias parecem contraditórias (pode fabricar, mas não pode utilizar), ponha-se o milagre na conta dos ativíssimos lobbies financiados pelos fabricantes.

Assim como agem para conseguir manter a fabricação em solo europeu, filiais desses mesmos lobbies agem em países mais atrasados, para que o uso de pesticidas perigosos continue permitida. Se esses produtos são proibidos na Europa, não é por capricho de legisladores. É porque estudos demonstraram sua nocividade.

Nessa prateleira de venenos, há os cancerígenos, os que matam abelhas, os que acabam com os peixes. E todos eles terminam, pelo menos em parte, nos leçóis freáticos, contaminando a água que os humanos vão beber amanhã.

Quando as rédeas do país estão entregues ao clã do Bolsonaro, então, ai, meu Deus! Deve ter um bocado de gente ganhando comissões polpudas pra garantir que continue autorizada a importação de venenos agrícolas. “O povão que se lixe” – devem dizer – “meu croissant chega todos os dias fresquinho de Paris”.

É interessante saber que o Brasil é o segundo maior importador mundial de agrotóxicos, incluindo os que estão proibidos na Europa. Em 2018, importou 10 mil toneladas. Em 2019, foram 12 mil toneladas. Não disponho de dados mais recentes, mas é permitido desconfiar que, com a chegada do capitão ao Planalto e as autorizações que tem concedido para uso desse tipo de veneno, devam ter aumentado muito.

Mas o mundo dá voltas. Os netos do capitão ainda hão de amaldiçoar o avô, quando descobrirem que a polinização desapareceu por falta de abelhas, e que não se pode mais tomar água por estar contaminada. Mas aí será tarde. O chato é que será tarde para nossos netos também.

Mas tem remédio. Quando a coisa chegar a esse ponto, basta parar de utilizar os venenos. E aguardar umas poucas centenas de anos. A natureza sempre acaba por se regenerar. Passa logo.

Questão de gênero

José Horta Manzano

A Petrobrás, a General Motors, a Honda, a Amazon, a L’Oréal, a Gazprom, a Unilever, a Boeing, a Vale, a Samsung, a Nestlé, a Bayer.

Em nossa língua, como pode o distinto leitor constatar, todo nome de grande empresa ‒ seja de que origem for ‒ costuma ser posto no feminino.

Sexo 1Exceções são muito raras. À vista d’olhos, só encontrei duas: o Google e o Facebook. Por que será? Há de ser porque, antes de serem vistos como empresas, esses nomes designavam aplicação informática.

Seja como for, o gênero veio pra ficar. É difícil imaginar dizer um dia «a Facebook dispensou mil e duzentos funcionários» ou «comprei ações da Google».