El sueldo

José Horta Manzano

Quem traz a crônica é o Diario Financiero, publicado em Santiago, Chile. A historieta se passa numa empresa chamada Cial (Consórcio Industrial de Alimentos), que é de longe o maior fabricante de embutidos do país.

No fim de maio último – dia 30, precisamente – um funcionário com cargo de assistente de expedição recebeu pontualmente seu salário na conta bancária. Quando foi conferir, se deu conta de que algo estava errado.

De fato, em vez do montante habitual, que é por volta de 500.000 pesos (2.850 reais), havia um saldo enorme em sua conta. A firma tinha lhe pagado a astronômica soma de 165.398.851 pesos (950.000 reais), equivalente a 330 meses de seu salário!

Logo em seguida, o funcionário foi pessoalmente ao Departamento de Pessoal pra saber o que tinha acontecido. Foi aí que o erro foi constatado. O encarregado pediu desculpas pelo transtorno.

O problema é que o montante já estava na conta do funcionário e a empresa não tinha como recuperar. Só o funcionário, titular da conta, podia fazer a devolução. Ficou combinado que no dia seguinte, logo de manhã, ele iria ao banco e daria uma ordem de transferência em favor da empresa.

Dia seguinte chegou. No Departamento de Pessoal, as horas passavam, nada do funcionário e nada de transferência. Começaram a ficar nervosos. Telefonaram para o funcionário e deixaram mensagens, tudo sem resposta. Por fim, pelas 11h, o funcionário ligou para a firma, pediu desculpas, e informou que tinha levantado tarde. Estava a caminho do banco.

Foi o último contacto entre ele e a empresa. Dois dias depois, um advogado visita a firma e entrega a carta de demissão do funcionário indelicado. Já faz mais de um mês que o homem partiu, desapareceu na natureza e não deu mais notícias. Nem deixou endereço pra contacto.

A empresa fez boletim de ocorrência na polícia e abriu processo por apropriação indébita. Se alguém tiver notícias do fujão, roga-se informar à polícia de Santiago.

Observação
A história não conta o que aconteceu com o encarregado que cometeu o erro que resultou nesse pagamento em excesso. Foi uma exceção que resultou num excessão!

Top names 2021

José Horta Manzano

O mundo está cada vez menor. É impressionante constatar a que ponto a velocidade dos meios de transporte encurtou distâncias. A rapidez da circulação da informação tem contribuído para essa sensação de que o planeta virou um povoado. Todo o mundo fica sabendo de tudo o que acontece. O alastramento de modas e modismos acaba uniformizando o gosto dos humanos.

Exemplos, há de monte. Hoje trago mais um. Dei uma espiada em duas listas de prenomes mais atribuídos aos bebês nascidos em 2021. A primeira delas reúne as estatísticas dos EUA; a segunda traz os nomes dados aos pequerruchos nascidos em Paris.


Nos EUA e na França, diferentemente do que acontece no Brasil, é pouco comum a invenção de nomes. Mais raro ainda – pra não dizer inexistente – é o acréscimo de letras a esmo, em geral mal colocadas (Jhonatan, Anitta, Deyvid, Dennise).


Nomes bíblicos aparecem tanto entre os americanos como entre os franceses. O mais curioso é que, apesar das diferenças linguísticas entre os países, três nomes aparecem em ambas as listas – e escritos da mesmíssima forma. Confira abaixo.

Nomes mais atribuídos nos Estados Unidos em 2021

Meninos:

1. Liam
2. Noah
3. Oliver
4. Elijah
5. James
6. William
7. Benjamin
8. Lucas
9. Henry
10. Theodore

Meninas:

1. Olivia
2. Emma
3. Charlotte
4. Amelia
5. Ava
6. Sophia
7. Isabella
8. Mia
9. Evelyn
10. Harper

Nomes mais atribuídos na cidade de Paris em 2021

Meninos:

1. Gabriel
2. Adam
3. Louis
4. Raphaël
5. Arthur
6. Noah
7. Isaac
8. Joseph
9. Mohamed
10. Léon

Meninas:

1. Louise
2. Alma
3. Emma
4. Adèle
5. Chloé
6. Anna
7. Olivia
8. Eva
9. Jeanne
10. Rose.

Os nomes assinalados em cor aparecem entre os favoritos em ambos os países.

A fome no mundo

José Horta Manzano

A agência de notícias EFE informa que o Brasil está exercendo a presidência rotativa do Conselho de Segurança da ONU durante o mês de julho.

Ao assumir o encargo, Senhor Ronaldo Costa F°, nosso representante permanente junto à ONU, assegurou que “o Brasil vai promover a segurança alimentar que está em fase crítica em razão da guerra na Ucrânia”.

Nós todos aplaudimos de pé – quem não aplaudiria? Dá tristeza pensar nos milhões e milhões de humanos que logo logo vão começar a passar fome. São populações pobres da África e do Oriente Médio, cujo alimento básico é o pão, feito com trigo ucraniano.

Ao ler a notícia, pensei também nos 33 milhões de brasileiros que passam fome habitualmente, com guerra ou sem ela. O governo, que orienta seu representante a fazer declarações humanitárias na ONU, é o mesmo que despreza os famintos nacionais, porque são pretos, índios, pobres.

O Brasil vai “promover” a segurança alimentar no planeta. Eu me pergunto qual é o significado do verbo promover nessa frase. Vai despachar navios carregados de mandioca e milho para os famintos do mundo? Vai mandar uns trocados para assistir a esses infelizes? Ou vai ficar no discurso  estéril, só pra inglês ver?

A hipocrisia não tem limites.

A Amazônia não é brasileira

Ascânio Seleme (*)

São tolos e mal informados os que pensam que a Amazônia é brasileira. Não é. A floresta não pertence a Brasil, Colômbia, Venezuela, Peru, Equador, Guianas. Sua imensidão territorial se estende por esses países e colônias, mas sua importância ultrapassa toda e qualquer fronteira.

Parece que ainda vai demorar muito até que se perceba que, para salvar o mundo, será necessária uma política globalmente estruturada para defender a Amazônia. Pode ser tarde.

Por ora, quem tenta proteger a floresta de seus algozes são homens bons como Bruno Pereira e Dom Phillips. E esses são sistematicamente sabotados por governos ou assassinados por pessoas com interesses contrariados.

(*) Ascânio Seleme é jornalista. Trecho de artigo publicado no jornal O Globo.

O preço da gasolina

José Horta Manzano

O Washington Post desta sexta-feira traz um infográfico que compara o preço da gasolina nas 15 maiores economias do globo. Os países estão divididos em três categorias de renda: alta, média superior e média inferior. O Brasil está classificado no grupo do meio.

O cálculo foi feito com base num modelo Toyota Camry de 2010. Os desenhinhos mostram a distância que o veículo percorreria com US$ 40 de gasolina.

O automobilista leva vida apertada na Europa. Na Inglaterra, França, Itália e Espanha, não vai muito longe com os quarenta dólares no tanque. Nos EUA e no Japão, roda bem mais folgado.

As distorções são mais significativas nos países de renda média. Chineses e brasileiros pagam um preço bem próximo do americano, enquanto mexicanos e especialmente russos rodam mais quilômetros com menor gasto.

Já guiar automóvel na Índia não é pra qualquer um. A gasolina lá é vendida ao preço brasileiro, mas o cidadão comum não tem condições financeiras de encarar. Carro é privilégio de gente abastada.

O automobilista brasileiro reclama com razão do preço da gasolina. O infográfico compara preço com preço, sem levar em conta a renda média dos cidadãos de cada país. O fato é que os salários brasileiros são bastante inferiores aos americanos. Portanto, embora a gasolina no Brasil custe aproximadamente o mesmo que nos Estados Unidos, pesa muito mais no bolso do automobilista brasileiro.

Pra finalizar, constata-se que o país mais atraente para o automobilista é a Rússia. Com os mesmos quarenta dólares, os russos podem dar a volta no rodoanel de Moscou zilhentas vezes e ainda vai sobrar combustível. Só que… lá eles têm Putin, o que quebra o encanto na hora.

No fundo, é melhor ir aguentando o capitão. Falta pouco.