Le caleçon du sénateur

José Horta Manzano

Certas notícias se alastram feito rastilho e fazem as delícias da imprensa internacional. Em geral, vêm de países exóticos como os da África e da Ásia Central, mas não só. O Brasil, desde que entramos no século XXI, anda abrindo muito o flanco e deixando escapar muita notícia assim. Será que estamos nos tornando um povo folclórico, daqueles dos quais não se pode esperar nada de sério?

A história do dinheiro na cueca do senador – um senador da República! – provoca sorrisos e abanos de cabeça ao redor do mundo. Cada jornalista explica com as palavras de sua língua.

Le Figaro

Le Figaro, jornal francês, até que foi bastante comedido. Disse: «Brésil: des liasses de billets retrouvés dans le caleçon d’un sénateur – Brasil: maços de notas encontrados na cueca de um senador». Mandou um genérico «dans le caleçon – na cueca», deixando a cada um a liberdade de imaginar o conjunto: o dinheiro, a cueca e o senador. Publicou a foto do indigitado, um bigodudo de tez morena, protótipo do medalhão latino-americano.

DW in English

Em sua edição em língua inglesa, a plataforma Deutsche Welle traz a mesma notícia com palavras mais cruas: «Brazil senator caught hiding money ‘between buttocks’ – Senador brasileiro apanhado escondendo dinheiro ‘entre as nádegas’». Escreveu assim mesmo, botando as nádegas entre parênteses, talvez numa pudibunda tentativa de encobri-las.

Der Spiegel

Der Spiegel, a grande mídia alemã, além de dar a notícia com palavras inequívocas, vai mais longe e ilustra a reportagem com uma foto de Jair Bolsonaro. Para quem não houvesse entendido, fica sugerida a ligação entre o dinheiro e o presidente. Saiu assim: «Mutmaßlich veruntreutes Geld “zwischen den Pobacken” gefunden – Dinheiro suspeito desviado encontrado ‘entre as nádegas’».

Em qualquer mídia, em qualquer língua, em qualquer país, a mensagem é uma só: quem acreditou na lorota da «decolagem» do Brasil, em voga poucos anos atrás, se iludiu. Desde que estourou o Mensalão, faz 15 anos, nada mudou. Se mudou, foi pra pior.

4 pensamentos sobre “Le caleçon du sénateur

    • É uma pena ver uma reputação que levou tantos anos a ser plasmada ser aniquilada em tão pouco tempo. Já vão 120 anos desde que o Barão do Rio Branco plantou os primeiros mourões. E veja onde estamos hoje! O “legado” do atual governo vai levar décadas pra sumir.

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      • Pelo andar da carruagem, não vai sobrar Brasil para ser possível recuperar ainda que minimamente sua imagem internacional. Nada mais proctológico, absolutamente condizente com a mentalidade escatológica dos luminares do atual desgoverno.

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