Fiz um gato

José Horta Manzano

Gato escondido 2As coisas, às vezes, acontecem na hora errada. Aliás, para coisas indesejadas, nenhum momento é propício. Pelas 11 da noite de ontem, quando costumo dar uma espiadinha na internet pra saber das novidades, não consegui entrar no primeiro site. Tentei um segundo, e nada. Depois do terceiro site fora do ar, tive de reconhecer que o sinal estava interrompido.

Aqui em casa ‒ como é comum por estas bandas ‒, eletricidade, televisão, telefone e internet são fornecidos pela mesma empresa. Como é a fiação? Não sei. Talvez venha tudo pelo mesmo buraco. Técnica, física, matemática e mecânica celeste nunca foram meu ponto forte. Fato é que ontem, de golpe, perdemos internet e telefone fixo. Por sorte, a eletricidade e a tevê continuaram firmes e fortes.

Na Suíça, depois do horário comercial, assistência técnica é tão difícil de achar como agulha em palheiro. A melhor notícia que o «serviço de emergência» da fornecedora conseguiu me dar é que um técnico entraria em contacto comigo na manhã seguinte. Tá.

Gato 1Que fazer? Nada. Panes aqui são muito raras, o que faz que a gente não esteja preparado para elas. Só pra dar uma pequena ideia, nenhuma casa tem caixa d’água. Nunca se ouviu falar nesse apetrecho. Armazenar água em casa, para um suíço, soa tão fora de esquadro como instalar sistema de calefação em Manaus.

Eis senão quando me vem à memória que, anos atrás, por razão que ora me escapa, chegamos a utilizar, por curto período, o sistema wi-fi do vizinho de parede. Com anuência dele, evidentemente. Na época, ele gentilmente nos forneceu a senha de acesso.

Gato escondido 16Aquela situação excepcional durou pouco porque logo tomamos assinatura internet e nunca mais utilizamos o sem-fio do vizinho. Só ontem, no momento da pane, a coisa me voltou à lembrança. O velho laptop que usávamos na época, embora já aposentado, não foi jogado fora. Aqui em casa, ninguém se lembrava mais da senha do vizinho mas… o velho computador de colo, que bobo não é, não se esqueceu. Como o vizinho é assinante de outra empresa, seu sinal estava perfeito.

Retirada temporariamente da aposentadoria que gozava no porão, a maquineta ressuscitou. Aparentemente orgulhosa de voltar à ativa, mostrou seriedade ao captar sem problema o sinal do vizinho, armazenado em sua inesgotável memória. É verdade que a velha maquininha é de uma lentidão à qual não estamos mais acostumados. Mas é sempre melhor que nada.

Graças a ela, pudemos assistir, ao vivo, à destituição do Lula. Não foi um lapso. Para mim, dona Dilma não passou de comparsa desastrada. Os escorraçados foram Lula & caterva.

Fiz um gato que valeu a pena.

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Observação
O vizinho de parede, a quem deixo aqui meu agradecimento, mantém o apartamento montado embora raramente esteja por aqui. Estes dias, por exemplo, está de viagem.

Só para terminar: depois de 12 horas, internet e telefone voltaram.

5 pensamentos sobre “Fiz um gato

  1. Neste momento crucial ficar sem internet? Eu teria um piripaque.
    Que bom que fez um filhote de gato. Certamente, valeu a pena poder acompanhar o que se passa aqui.
    Grande abraço!

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  2. País civilizado é outro papo, gostei de ver que depois de décadas meus amigos não esqueceram o jeitinho brasileiro. Se o vizinho suíço vier a saber vai ficar horrorizado! O que os seus gatos disseram?

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  3. À Michele, digo que valeu, sim, a pena ter acompanhado. Como disse o outro: nada paga ter visto a cara de perdedor do Lula.

    À Zezé, digo que fique tranquila. Estamos em excelentes termos com o vizinho. Foi ele mesmo quem pôs o wi-fi à nossa disposição, já faz dez anos. Me lembro que, na época, chegou a comentar que nem precisávamos fazer assinatura com um provedor. Acabei fazendo porque não gosto de depender de ninguém. De qualquer maneira, a dita «velocidade»(1) da internet aqui é muito elevada. Com 50mB/segundo, dá pra todos e ainda sobra.

    À Myrthes, digo que fiquei sensibilizado em saber que se levantou tão cedo à toa. No próximo impeachment, tentarei fazer melhor. Se internet ajudar, claro.

    Lá vem o professor:
    (1) Não posso ver defunto sem chorar. Usei “velocidade” para falar da internet, mas não é essa a palavra adequada. Internet não é mais veloz nem mais lenta. O que é maior ou menor é o fluxo. A velocidade é constante, o que varia, portanto, é o volume de informações que o sistema deixa passar por segundo.

    Obrigado a todas.

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