José Horta Manzano
Acabo de voltar de férias no planeta Marte, onde passei estes dias que ligam o ano velho ao ano-novo.(*) Devo estar ainda com a cabeça nevoada ― a viagem é longa e cansativa.
Li hoje que o governo paulista proÃbe sua polÃcia de socorrer vÃtimas de crimes graves, tais como tentativa de homicÃdio. Levei um susto. Achei que fosse algum delÃrio resultante da viagem interplanetária. Reli. Não, não havia engano. O relato do jornalista era esse mesmo.
Parece que a intervenção de policiais periga alterar a cena do crime. Se entendi bem, socorristas e urgentistas estão mais bem treinados que o corpo policial para intervir em caso de ocorrência violenta sem perverter o cenário.
Pervertido está o bom senso. Se a ajuda sanitária está capacitada para intervir sem alterar cenas de crime, com maior razão a polÃcia também deveria estar. O que não faz sentido é deixar que um cidadão agonize na sarjeta, que se esvazie de seu próprio sangue, sem que nenhum auxÃlio lhe seja prodigado.
Em vez de serem proibidos de socorrer feridos, os policiais deveriam, isso sim, ser treinados a desempenhar corretamente seu papel sem desfigurar o cenário de um suposto crime. É inconcebÃvel que essa competência não faça parte de sua formação.
Não se pretende transformar as forças da ordem em urgentistas diplomados, mas noções básicas de primeiros socorros não fazem mal a ninguém. São ainda mais necessárias e úteis a profissionais cujo ofÃcio os leva a defrontar quotidianamente acidentes, crimes e mortes.
(*) Não se assustem, que não é pilhéria. Ano velho se escreve assim, separado. Ano-novo pede hÃfen. Sabe Deus por quê. São caprichos de nossa grafia, que a reforma manquitola de 1990 não ousou enfrentar.


José: Como vc chegou de Marte para pior, não sabe que não estah funcionando o link UOL! bjs, wilma.
CurtirCurtir
Pronto, cara Wilma, já está consertado. É que em Marte as coisas funcionam diferente. E a gente acaba se acostumando.
CurtirCurtir
Infelizmente – e bota infelizmente nisso – o Brasil não é mesmo um paÃs para principiantes, nem para amadores, nem para os mentalmente sãos. Acredite você ou não, toda a classe médica perfilou-se ao lado do governador do estado (que, por sinal, também é médico). Aparentemente, eles instauraram um novo conceito de “emergência”: agora dizem que, mais importante do que a rapidez no atendimento, é a qualidade do serviço o que conta!!!! Ontem, o diretor do Samu de SP afirmou que os atendimentos a pessoas vÃtimas de crimes não chegam a 1% e que o Samu já atingiu o padrão de rapidez necessário (10 minutos, no máximo). Deus – que, decididamente é brasileiro e não está nem aà para estatÃstica – providenciou um caso exemplar. Ontem mesmo um ladrão baleado ficou por 23 minutos estendido na calçada…
CurtirCurtir