O tamanho e o formato das bandeiras

José Horta Manzano

Você sabia?

A gente costuma achar que todas as bandeiras nacionais são retangulares e de formato idêntico. Pois a realidade não é exatamente essa. O formato e as proporções das bandeiras são bastante variados. Há uma trintena de diferentes formatos oficiais. Cada país ou território tem regras específicas para confecção e apresentação de seu estandarte. Nossa bandeira nacional, quanto a ela, segue as (rigorosas e precisas) normas ditadas pelo Decreto-lei n° 4.545, assinado por Getúlio Vargas.

De cada quatro bandeiras, três seguem as proporções mais utilizadas: 1:2 ou 2:3. No primeiro caso, o comprimento da bandeira mede o dobro da altura. No segundo, o comprimento corresponde a uma vez e meia a altura.

Alguns pendões escapam a essas medidas mais difundidas. Entre eles, como se podia esperar, o nosso. Aproxima-se muito do padrão 2:3, embora o comprimento não chegue a uma altura e meia. As proporções da bandeira brasileira são de 7:10, o que dá uma razão não de 1,5, mas de 1,429. Apenas duas nações seguem esse padrão: o Brasil e a pequenina Andorra.

Na prática, no entanto, como pouca gente anda pela rua com uma régua no bolso a medir bandeiras, não se costuma dar muita atenção a essas minúcias. Certas ocasiões exigem que dezenas de lábaros sejam expostos: conferências internacionais, por exemplo. Para essas horas, está tacitamente combinado que todas sejam confeccionadas no formato 2:3. A uniformização evita que bandeiras mais longas acabem ocultando as mais curtas. Ninguém reclama.

Eu disse ninguém? Não é bem assim. Durante quase meio século, a Suíça negou-se a aderir à ONU, criada logo após a Segunda Guerra. O povo considerava que o estatuto de neutralidade do país era incompatível com a afiliação a uma organização supranacional.

O tempo passou, a guerra foi ficando pra trás, o Muro de Berlim caiu, a antiga geração foi desaparecendo, até que chegou um dia em que, por meio de plebiscito, os suíços finalmente aprovaram a entrada do país na ONU. Foi em 2002. Logicamente, um mastro foi acrescentado à fachada da organização internacional. Na hora de confeccionar a bandeira suíça, no entanto, um problema apareceu.

ONU ‒ Sede europeia, Genebra

Entre todos os Estados e territórios do planeta, somente dois têm bandeira quadrada. Um deles é o Vaticano ‒ que não é membro da ONU ‒ e o outro é justamente a Suíça. O cerimonial da ONU insistiu para que os suíços «espichassem» sua bandeira e a tornassem retangular. Pequenino mas cabeçudo, o país resistiu. «Nossa bandeira sempre foi quadrada e assim permanecerá.» A ONU preferiu não insistir.

Se o distinto leitor calhar de passar um dia diante da ONU, dê uma olhada. Lá está a bandeira vermelha de cruz branca. Quadradinha.

Artigo publicado originalmente em jan° 2017.

O formato das bandeiras

José Horta Manzano

Você sabia?

A gente costuma achar que todas as bandeiras nacionais são retangulares, de formato idêntico. Qual nada! Há uma trintena de diferentes formatos oficiais. Cada país ou território tem regras específicas para confecção e apresentação de seu estandarte. Nossa bandeira nacional segue as (rigorosas e precisas) normas ditadas pelo Decreto-lei n° 4.545, assinado por Getúlio Vargas.

bandeiras-4De cada quatro bandeiras, três seguem as proporções mais utilizadas: 1:2 ou 2:3. No primeiro caso, o comprimento da bandeira mede o dobro da altura. No segundo, o comprimento corresponde a uma vez e meia a altura.

Alguns pendões escapam a essas medidas mais difundidas. Entre eles, como se podia esperar, o nosso. Aproxima-se muito do padrão 2:3, embora o comprimento não chegue a uma altura e meia. As proporções da bandeira brasileira são de 7:10, o que dá uma razão de 1,429. São apenas duas nações a seguir esse padrão: o Brasil e a pequenina Andorra.

bandeira-suica-2Na prática, no entanto, como pouca gente anda pela rua com uma régua no bolso a medir bandeiras, não se costuma dar muita atenção a essas minúcias. Certas ocasiões exigem que dezenas de lábaros sejam expostos: conferências internacionais, por exemplo. Para essas horas, está tacitamente combinado que todas sejam confeccionadas no formato 2:3. A uniformização evita que bandeiras mais longas acabem ocultando as mais curtas. Ninguém reclama.

Eu disse ninguém? Não é bem assim. Durante quase meio século, a Suiça negou-se a aderir à ONU, criada logo após a Segunda Guerra. O povo considerava que o estatuto de neutralidade do país era incompatível com o pertencimento a uma organização supranacional.

O tempo passou, a guerra foi ficando pra trás, o Muro de Berlim caiu, a antiga geração foi desaparecendo, até que chegou um dia em que, por meio de plebiscito, os suíços finalmente aprovaram a entrada do país na ONU. Foi em 2002. Logicamente, um mastro foi acrescentado à fachada da organização internacional. Na hora de confeccionar a bandeira suíça, no entanto, um problema apareceu.

Sede europeia da ONU, Genebra

Sede europeia da ONU, Genebra

Entre todos os Estados e territórios do planeta, somente dois têm bandeira quadrada. Um deles é o Vaticano ‒ que não é membro da ONU ‒ e o outro é justamente a Suíça. O cerimonial da ONU insistiu para que os suíços «espichassem» sua bandeira e a tornassem retangular. Pequenino mas cabeçudo, o país resistiu. «Nossa bandeira sempre foi quadrada e assim permanecerá.» A ONU preferiu não insistir.

Se o distinto leitor calhar de passar um dia diante da ONU, dê uma olhada.

Placa de automóvel

José Horta Manzano

Placa francesa

Placa francesa

A União Europeia foi criada com um objetivo maior: evitar a guerra. Martirizada por dois conflitos de proporções bíblicas, os europeus se uniram para assegurar que loucuras daquele tipo nunca mais se repetiriam.

Placa italiana

Placa italiana

O intento foi alcançado. Se conflitos houve, foram regionais e não contaminaram o continente. Mas a união trouxe efeitos colaterais benéficos e consideráveis. Um deles, do qual os europeus nem sempre se dão conta, é a padronização de inúmeros aspectos das atividades humanas. São regras comuns que facilitam a vida.

Placa espanhola

Placa espanhola

A uniformização é abrangente. Vai de voltagem da corrente elétrica até formato de folhas de papel. Milhares de diretrizes têm sido editadas. Algumas delas são obrigatórias para todos os países, outras não. Entre as facultativas, está a uniformização das placas de identificação de veículos a motor.

Placa britânica

Placa britânica

Muitos países europeus adotaram grandes linhas normalizadas: letras pretas sobre fundo branco. No entanto, cada país tem liberdade de determinar a combinação de números e letras.

Placa portuguesa

Placa portuguesa

O

O resultado, às vezes, é curioso. França e Itália decidiram-se pelo mesmo padrão: duas letras, seguidas por três números e por duas outras letras. O acaso faz que um automóvel matriculado na Itália possa ostentar placa idêntica a um outro, matriculado na França. Já houve gente levando multa cometida por outro automobilista.

Nova placa brasileira

Nova placa brasileira

Nosso Mercosul tem-se mostrado inábil para resolver conflitos comerciais –frustrando o objetivo para o qual foi criado. No que se refere à identificação de automóveis, faz mais de quatro anos que se determinou a padronização das placas. A ideia é que todas elas sigam a mesma combinação. Cada país terá um lote de letras e números reservados, a fim de evitar o risco de placas repetidas.

Nova placa argentina

Nova placa argentina

Acho uma excelente ideia. Com todos os problemas que temos, não acredito que venha a ser posta em prática tão já. Está previsto para 2016, vamos ver. Se (e quando) entrar em vigor, teremos dado um passo à frente dos europeus. Nesse aspecto, pelo menos, seremos pioneiros.

Fonte: O Globo