Triscaidecafobia

José Horta Manzano

Triscaidecafobia é o nome culto do pavor que muita gente tem do número 13, ao qual se atribui o poder de trazer desgraça. O Volp registra a grafia triscaidecofobia, que me parece anômala. O Houaiss ignora, mas o Priberam corrige. A raiz grega deka (=dez) deu decaedro, decassílabo, decâmetro, decacampeão, decalitro. Triscaidecafobia respeita o original.

Desde a alta Antiguidade, o número 12 carrega simbologia forte. Representa o fim de um ciclo. Doze signos tem o horóscopo, doze meses tem o ano, doze horas tem o dia, doze foram os trabalhos de Hércules, doze tribos tinha o Israel bíblico.

Com exceção do salário extra que se recebe no fim do ano, o décimo terceiro faz papel de intruso. É sempre aquele penetra que interrompe o ciclo e quebra a harmonia formada pelos doze primeiros. Opõe-se ao divino, à perfeição primeira. No tarô de Marselha, por sinal, a décima terceira carta significa a morte.

Décima terceira carta do tarô de Marselha

O cristianismo medieval reforçou as antigas superstições. A Última Ceia, tal como foi representada pelos artistas da Idade Média, mostrava Jesus ladeado pelos doze apóstolos, um dos quais havia de traí-lo. Como o Mestre foi crucificado numa sexta-feira, a coincidência dos dois é por muitos considerada nefasta. Numa sexta-feira 13, todo cuidado é pouco. Há gente que nem sai de casa nesse dia.

Tendo em mente o drama que se seguiu à Última Ceia, em muitos países do mundo ocidental nunca se juntam 13 pessoas ao redor de uma mesa. Nem para jantar nem para conversar. Se a conta der treze, há duas soluções: dispensa-se alguém ou convida-se um extra pra desmanchar o quebranto. Qualquer figurante serve.

Inúmeros edifícios dos EUA não têm décimo terceiro andar. Evita-se também a 13a rua, a 13a avenida. Hospitais não dão número que termine em 13 a nenhum quarto. Cinemas compostos de múltiplas salas fogem de dar o número 13 a uma delas. Há quem prefira dar o nome de 12bis, há quem passe direto do 12° ao 14°.

Gabinete presidencial
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O gabinete da presidência da República do Brasil, salão frio e despojado mas espaçoso e iluminado, tem uma vistosa mesa de reuniões. A mesa é redonda, como convém para diluir embaraços protocolares. O detalhe picante é que ela conta com exatamente 13 cadeiras em roda. O distinto leitor pode conferir pela foto aqui acima.

Talvez isso explique certas decisões desastradas que têm sido tomadas ao redor do imponente e lustroso móvel. No creo en brujas, pero que las hay, las hay ‒ dizia o outro. Não sou especialmente supersticioso. Assim mesmo, fosse eu doutor Temer, mandava imediatamente tirar ou acrescentar uma cadeira. «O seguro morreu de velho», dizia minha avó.

Previsões para a Copa

José Horta Manzano

A Copa do Mundo de Futebol, para quem não se deu conta, já começou faz uns dois anos. As 32 equipes que evoluirão este ano nas «arenas» (=estádios) do Brasil estarão disputando a fase final. O torneio começou com as eliminatórias regionais, das quais participaram perto de 200 países.

Os que integram a fase final são já uma elite, visto que 5 em cada 6 pretendentes já foram desclassificados. Para a maioria dos times nacionais, o objetivo era chegar a essa fase, ou seja, ganhar a passagem para o Brasil. Já se dão por satisfeitos de o terem conseguido. Outras equipes são mais ambiciosas e fixam a meta um bocadinho mais além: fazem de tudo para chegar às quartas de final, glória suprema.

Pelo que tenho constatado, nenhum país ousa declarar que tem como objetivo «ganhar» a Copa. É claro que todos os torcedores ficariam felizes se seu time nacional fosse campeão. Mas chegar às quartas de final já é façanha considerada de bom tamanho. Ninguém se arrisca a falar abertamente em levar o caneco.

Na cabeça do torcedor brasileiro, as coisas não funcionam exatamente assim. O objetivo é um só: ganhar o campeonato e levar a taça para casa. Terminar em segundo lugar ― o segundo entre 200 nações! ― é considerado, entre nós, um fracasso. Ficar em terceiro, então, é catastrófico. Menos que isso é vergonha nacional.

Por que isso acontece? Quem tiver uma explicação, que me diga. Confesso que não sei.

Interligne 18e
Sonia Racy colheu as costumeiras previsões para o novo ano formuladas por especialistas em tarô, numerologia e astrologia. A mesma série de perguntas foi feita a cada um deles. Entre as respostas, estão evidências que dispensam estudos esotéricos: haverá furacões, inundações, terremotos, manifestações populares durante a Copa, escândalos políticos. Para isso, dispensamos prevedores.

Já em outros assuntos, os três especialistas não conseguiram entrar em acordo. Há quem aposte na reeleição de mandatários atuais, há quem jure que serão varridos pelos eleitores. A ver. (Ou “haber”, como me escreveu uma vez um amigo espanhol. Não imite, que está errado, hein!)

Um tema, no entanto, uniu a predição dos três especialistas: o Brasil não será campeão de futebol.Copa 14 logo 2

O tarólogo foi pouco incisivo, mas bastante claro:
«O brasileiro costuma cantar vitória antes da hora (é pretensioso), e a pretensão é a maior inimiga da vitória».

A numeróloga foi direto ao ponto:
«Haverá uma queda de confiança na equipe, que levará o Brasil a perder a Copa».

E o astrólogo martelou um golpe seco e sem dó:
«O Brasil terá grande atuação, mas não vencerá».

É isso aí, minha gente. Melhor ir-se conformando.

Clique aqui se quiser ler a integralidade das previsões.