Quase-verdades

José Horta Manzano

No Brasil, todos se lembram das irritantes “quase-verdades” do Lula. Na época, pensávamos que, com esse discurso, ele tinha descido ao ponto mais baixo que um presidente pode atingir. Era engano.

Com Bolsonaro, já não temos meias verdades: o capitão mente descarada e compulsivamente. Despudoradamente. E ninguém parece se importar mais com isso. Uns chegam até a aplaudir. Essa indiferença mostra uma complacência perigosa para o futuro das relações sociais entre cidadãos deste país.

Lula e Bolsonaro passarão, mas o tecido social que eles esburacaram permanecerá. Se a mentira já não choca, é sinal de que a confiança desapareceu. Como viver numa sociedade em que todos desconfiam de todos?

Desconfiança dá muito trabalho e consome muita energia. Se esse fator um dia entrar no cálculo do PIB nacional, o resultado será desastroso. Devemos estar abaixo do Afeganistão.