Unidos venceremos!

José Horta Manzano

Hoje teve lugar, no imenso estádio de Johannesburg, cerimônia de adeus a Nelson Mandela. Viram-se e ouviram-se acontecimentos espantosos.

Obama e Castro (o segundo) roubaram a cena com seu histórico aperto de mãos. Obama recebeu uma ovação da assistência ― dezenas de milhares de pessoas. Não passaram despercebidas as vaias com que essas mesmas pessoas receberam Jacob Zuma, atual presidente do país. Visita de presidente a estádio anda se tornando um exercício arriscado…

Cinco presidentes Foto: Roberto Stuckert F°

Cinco presidentes
Foto: Roberto Stuckert F°

Alguns notaram a falta de Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel. Ele disse que não iria para não gastar dinheiro do país. Como pretexto, soou meio capenga. Dizem os analistas que, na verdade, o homem estava com receio de ser acolhido por uma salva de apupos. Muitos hão de se lembrar que, nos tempos duros em que vigorava o apartheid na África do Sul, Israel foi um dos raros e constantes parceiros econômicos do país.

Dona Dilma e sua corte tiveram a excelente ideia de convidar os quatro antigos presidentes do Brasil para acompanhá-los na viagem. E, naturalmente, deram-lhes carona no Airbus presidencial. A equipe de Obama procedeu de maneira análoga. Levaram todos os que ainda estão em condições de viajar ― faltou Bush pai que, aos 89 anos, talvez tenha dificuldade em se locomover. As imagens da chegada do avião a Johannesburg mostraram Obama e Bush filho descendo do mesmo aparelho. É de crer que todos tenham viajado juntos.

by Alberto Alpino F°, desenhista capixaba

by Alberto Alpino F°, desenhista capixaba

Quem acompanhou a transmissão ao vivo talvez tenha percebido Monsieur Hollande e Monsieur Sarkozy, o atual presidente da França e seu predecessor, sentados lado a lado na tribuna reservada às autoridades.

O que pouca gente fora da França ficou sabendo é que o presidente atual convidou, sim, seu antecessor. Mas com uma condição: que viajassem em aviões separados. É voz corrente que os dois se odeiam. Resultado: os mandachuvas franceses precisaram de três aviões ― um para o presidente, mais um para o ex-presidente e um terceiro sobressalente, aquele estepe que se costuma levar.

Quando a imprensa francesa botou a boca no trombone para anunciar ao povo esse desperdício de dinheiro público, chegou a explicação. É que, na volta, o presidente atual tinha previsto uma parada na República Centro-Africana, onde o pau anda comendo tão feio que tropas francesas estão lá para acalmar os ânimos.

Sarkozy e Hollande em Johannesburg

Sarkozy e Hollande em Johannesburg

O pretexto pareceu mal costurado. Poderiam ter viajado juntos e dado ao distinto público uma imagem mais civilizada. Para organizar a volta, sempre se encontraria um jeito.

É raro, mas acontece: as altas personagens brasileiras, desta vez, se comportaram mais civilizadamente que as francesas. Que fique aqui consignada minha admiração.