Direto pra casa

José Horta Manzano

«Não é republicano!»

«É imoral!»

«Nunca se viu coisa parecida!»

«O currículo do rapaz é ridículo!»

«A lanchonete onde diz ter fritado hambúrguer só vende frango!»

«Mentiu ao dizer que tem mestrado!»

«É nepotismo puro!»

«O Brarão do Rio Branco deve estar se revirando na tumba»

«Devia ser proibido por lei!»

«Só pode ser provocação do presidente!»

«Ele só pretende beneficiar o filho, nada mais!»

«Há profissionais muito mais competentes!»

Tenho lido centenas de diagnósticos como esses aí acima. Todos se insurgem contra a intenção de doutor Bolsonaro de transformar o filho deputado em embaixador do Brasil em Washington – de longe, o posto mais elevado, mais cobiçado e mais prestigiado da carreira diplomática.

Só há um meio de baixar a porteira e trancar o avanço do desvario presidencial, realidade cada dia mais evidente. Esse meio chama-se Parlamento. Desde que Montesquieu, na primeira metade do século 18, distinguiu três tipos de Poder, todos eles complementares, independentes e postos em pé de igualdade, esse problema de presidentes que tendem a extravasar de suas funções deixou de existir. A mesma urna que elege o presidente elege também deputados e senadores. A legitimidade de todos é exatamente a mesma.

A democracia na qual – em teoria – vivemos é um sistema de pesos e contrapesos. Cada um dos três Poderes está concebido de forma a agir como barreira para impedir excessos dos demais.

Nomeação de embaixador tem de ser aprovada com o voto da maioria dos senadores, em escrutínio secreto. Pronto, esse mal tem remédio. Caso não tenham vendido a alma ao diabo, os senadores de bom senso vetarão a nomeação do pimpolho presidencial. Caso aprovem, a coisa se complica. E a conclusão fica evidente: estão vendidos. Ou não têm bom senso.

Se isso acontecer, anote o nome dos três senadores de seu estado e guarde bem guardado. Na próxima eleição, simplesmente não vote neles. Talvez algum inocente venha a pagar pelos pecadores mas… que remédio? Se todos os eleitores agirem assim, é certeza que os senadores vendidos voltarão pra casa e não voltarão à Casa.