Os problemas argentinos

Carlos Brickmann (*)

Tenho uma opinião firmada sobre os problemas argentinos. Um dos países mais ricos do mundo, com analfabetismo próximo de zero, autossuficiente em carne, trigo e petróleo, não resistiu à devastação peronista. Pior: a coisa foi tão longe que há peronistas de esquerda, de direita, extremistas.

É normal que as eleições envolvam disputas entre peronistas de um lado e de outro. Já vi eleições em que o hino peronista de direita louvava a segunda mulher de Perón (“Perón, Isabelita, la Patria peronista”) enquanto o peronismo de esquerda era favorável à primeira mulher de Perón (“Perón, Evita, la Patria socialista”). E Cristina Kirchner dificilmente poderia ser pior do que já é.

Juan Domingo Perón (1895-1974), político argentino

Bom, mas isso não significa que sejam verdadeiras as notícias sobre a vida na Argentina. A informação de que a pobreza atinge 40,9% da população argentina é falha. Pobreza, lá, significa receber menos de 45 mil pesos mensais (=R$ 3.300,00). E indigente é quem ganha abaixo de 18.500 pesos (=R$ 1.370,00).

Estão mal, mas há pelo menos um país vizinho que está bem pior.

(*) Carlos Brickmann é jornalista, consultor de comunicação e blogueiro.