Miscelânea 12

José Horta Manzano

Desenvolvimento humano
O PNUD ― Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento ― publicou a classificação do desenvolvimento humano das unidades federativas do Brasil. O estudo está baseado nos dados do censo de 2010 e consolida os índices de renda, de longevidade e de educação apurados em cada município.

Classificação IDHM 2010

Classificação IDHM 2010 – por Unidade Federativa

Os últimos classificados na lista são, na ordem: Pará (25° lugar), Maranhão (26° lugar) e Alagoas, o campeão do atraso, em 27° e último lugar.

Faz décadas que os clãs Barbalho, Sarney e Collor ― cada um na sua terra ― vêm exercendo influência pesada nos três Estados que ora aparecem com os piores índices de desenvolvimento.

Qualquer relação entre esse coronelato e o atraso da população pode não ser mera coincidência. Veja aqui, em resolução superior, o quadro no site do PNUD.

Interligne 18e

Horário de verão
Para mim, a palavra horário evoca uma tabela organizada com horário de trem, de avião, de aula, de trabalho. O que os ingleses costumam chamar timetable. Pessoalmente, para definir a mudança da hora oficial no período estival, prefiro a expressão hora de verão. Mas horário de verão está bem ancorado na língua. Vamos de horário mesmo.

Depois de muito vaivém na fixação anual de sua data de início e de fim, o período durante o qual os relógios têm de ser adiantados estabilizou-se a partir do Decreto n° 6558, de 2008. Ficou combinado que a operação começa no terceiro domingo de outubro e termina no terceiro domingo de fevereiro.

Nos anos em que o término coincidir com o Carnaval, a volta à hora normal se fará no quarto domingo de fevereiro. Não entendo bem a relação entre o Carnaval e a hora legal, mas o legislador houve por bem evitar a coincidência. Talvez para não amputar uma hora da festa maior ― evitar revoluções é dever de toda autoridade.

Na Europa, faz 30 anos que o acordo é o seguinte: adiantam-se os relógios no último domingo de março e volta-se a atrasá-los no último domingo de outubro. Um detalhe notável, no entanto, faz a diferença. Na Europa, estudos revelaram que o momento mais calmo do dia está situado entre as 2 horas e as 3 horas da madrugada. Assim, quando os relógios marcam as 2h da manhã do último domingo de março, passa a ser 3 horas. E às 3 horas do último domingo de outubro, atrasam-se os relógios para marcarem 2 horas.

É curioso que, no Brasil, tenham pensado em não perturbar o Carnaval, mas não tenham situado a mudança na hora mais sossegada da madrugada.

Seja como for, a partir de 27 de outubro, Brasil e Europa estarão separados apenas por 3 horas.

Relógio ― modelo oficial da Rede Ferroviária Suíça

Relógio ― modelo oficial da Rede Ferroviária Suíça

Há uma outra particularidade brasileira advinda do fato de nem todos os Estados aderirem à mudança de hora. Dou-lhes um exemplo significativo. O município de Caravelas (BA) está situado na mesma latitude de Santa Rita do Araguaia (GO). Dado que as duas estão separadas por quase 15 graus de longitude, a hora solar, inflexível, determina que a cidade baiana está uma hora à frente da goiana. Esse é o tempo real, astronômico. No entanto o horário de verão gera uma surpreendente distorção. Quando for meio-dia em Caravelas, já será uma hora da tarde em Santa Rita, na contracorrente da lógica geográfica.

Como já cantava Noel Rosa, num maxixe de 1932, são nossas coisas, são coisas nossas. Se quiser ouvir a gravação original, clique aqui.