Me ajuda aí, pô!

José Horta Manzano

Muita gente está até hoje refletindo sobre a irresponsável convocação que o capitão fez ao corpo diplomático lotado em Brasília para lhes dar um “brienfing”. No dia em que o presidente tiver deixado o poder e for feito um balanço, esse episódio será um dos pontos infames – são tantos! – que serão recordados de sua desastrosa passagem pelo Planalto.

Ao refletir retrospectivamente sobre o simulacro de governo que nos vem sendo imposto há três anos e meio, vai ficando claro que o capitão é exemplo cuspido e escarrado da figura do pidão. O termo, coloquial mas dicionarizado, designa o indivíduo que vive pedindo as coisas, que passa a vida na expectativa de que outros resolvam seus problemas.

Já no dia a dia, longe de apresentar as realizações de seu governo, o presidente se apoia em “laives” e falas de cercadinho para se lamuriar. Em vez de se mostrar tranquilizante, aparece regularmente sob os trajes de quem pede ajuda, por não estar conseguindo cumprir seu papel.

Há momentos em que o pidonismo fica ainda mais evidente. Tome-se o Sete de Setembro do ano passado, quando Bolsonaro se comportou como se estivesse prestes a anunciar um golpe de Estado com a entrada do país em regime ditatorial. A coisa pegou supermal. O Judiciário, a imprensa, presidentes de instituições e cidadãos comuns encresparam. O ambiente ficou tão pesado que, com medo do camburão, o presidente apelou para seu lado pidão. Chamou Michel Temer, pediu conselho, e o resultado todos conhecem: aquela carta ao povo, com pedido de desculpas. Que o capitão, sozinho, nunca conseguiria redigir.

Outro momento de “me ajuda aí, pô” foi quando Bolsonaro se encontrou com Biden, à margem da Cúpula das Américas. Ele jura que não disse isso mas as paredes, que têm ouvidos, contaram que o capitão pediu ajuda a Biden para evitar que Lula subisse ao poder e instalasse o comunismo no Brasil. A gente fica aqui imaginando na má impressão que o pedido extravagante deixou na cabeça de Biden, que conhece Lula e sabe que ele já esteve 8 anos no poder sem sequer tentar instalar o comunismo no país.

A recente convocação de embaixadores se inscreve no mesmo quadro do pidão compulsivo. Naquela ocasião, o discurso de Bolsonaro foi além do simples pedido. No fundo, era uma chantagem. O recado subliminar era: ou vocês me dão uma ajuda aí, ou vão ter de aguentar o Lula na Presidência.

Conclusão? O pidonismo é mais uma característica – desagradável e negativa – que vem enriquecer a já abastada coleção de horrores que povoam a mente de nosso perturbado capitão.

Dê-me sua opinião. Evite palavras ofensivas. A melhor maneira de mostrar desprezo é calar-se e virar a página.

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