José Horta Manzano
Embora não passe de devaneio, está aqui a fórmula certeira pra derrubar Bolsonaro e, ao mesmo tempo, evitar que o Lula volte à Presidência
Do jeito que a coisa vai, só pode piorar. Enquanto o capitão estiver no trono, não há esperança. Corrupção, compra de parlamentares, destruição da natureza, inflação, vergonha internacional – o cardápio é indigesto.
O Lula tem boas chances de vencer Bolsonaro. Só que “ter boas chances” não é certeza de vitória. Se um cadidato de terceira via sobressair nos próximos meses – Moro, Doria, Tebet, Pacheco ou outro – crescerá a possibilidade de termos um segundo turno entre esse candidato e o Lula. Se isso acontecer, o Lula estará em situação de fragilidade eleitoral. O quadro vai se complicar para ele.
Há uma fórmula com potencial de derrubar Bolsonaro na certeza, com vitória já em primeiro turno.
Outro dia, o Lula e Alckmin jantaram juntos e trocaram juras de amor eterno. Garantiram que a amizade inabalável que os une vem do tempo em que jogavam bafo e trocavam figurinhas no parque infantil.
Pois que levem adiante esse reencontro. Que formem uma chapa para as eleições presidenciais. Mas não aquela em que todos estão pensando (Lula para presidente e Alckmin de estepe). Este é um daqueles casos em que a ordem dos produtos altera o resultado.
Uma chapa com Alckmin para presidente e Lula para vice seria im-ba-tí-vel. Contentaria a gregos e troianos, e garantiria vitória no primeiro turno.
Lulopetistas, ainda que se sentissem um pouco desapontados de não ver seu herói na cabeça, não deixariam de apoiar a chapa. Votariam.
Antibolsonaristas, esperançosos de derrubar Bolsonaro e aliviados de o cabeça de chapa não ser o Lula, votariam.
E até os nem-nem (nem Bolsonaro, nem Lula), tranquilizados pelo fato de não ver nenhum dos estropícios na cabeça da dobradinha, votariam.
É, mas aqui esbarramos num muro resistente. Alguém imagina o orgulhoso Lula, aquele que um dia ousou dizer “a opinião pública somos nós”, se contentar com a vice-presidência? Certo que não.
É uma pena porque, rearrumada na ordem que proponho, a dupla faria sucesso. Venceriam na certa, ainda que o capitão dobrasse o valor da bolsa família e jurasse nunca mais falar palavrão.
Lamentavelmente, o que os brasileiros querem (na sua maioria) não é encontrar um nome de 3ª via respeitável e sensato, capaz de unir o país em torno de novas propostas. Querem sangue, confronto aberto, humilhação, revanche. Ninguém vai descansar enquanto não for confirmado um segundo turno entre Lula e Bolsonaro. O objetivo final, me parece, é inverter a eleição de 2018, descontando em Bolsonaro a raiva (a mesma que sentiam anteriormente de Lula) de terem apostado pela enésima vez que a salvação do país está nas mãos de um único homem, alguém que se apresente como acima do bem e do mal.
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É verdade o que você escreve. Mas algo me diz que Bolsonaro não chegará ao segundo turno. Se o Lula não levar já no primeiro, vai ao segundo contra alguém da dita terceira via. A menos que isso não passe de pensamento desiderativo (em português: wishful thinking). O tempo dirá.
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