Dados pirateados

by Clive Collins, desenhista inglês

José Horta Manzano

Faz uns dois ou três dias, subiu um auê nacional: piratas informáticos (em português: hackers) tinham roubado o Ministério da Saúde. Numa noite de assombração, dados de milhões de cidadãos haviam sido furtados, e o sistema já não respondia.

Me lembrei que, nos anos 1980, eu trabalhava numa pequena firma que fazia certo tipo de levantamento de dados. Pra dar uma ideia do tamanho da empresa, não chegávamos a 10 funcionários, mas o banco de dados tinha muito número.

Computador pessoal, na época, estava engatinhando. Bill Gates e outros, que viriam a tornar-se bilionários, ainda estavam em começo de vida. Pois imagine que, naquela era do computador movido a lenha, nós já dispúnhamos de um sistema de salvaguarda de dados (em português: backup).

As máquinas de então processavam bem mais devagar que hoje. Além disso, enguiçavam com frequência, provocando às vezes a perda do trabalho de um dia inteiro. Para ter a garantia de dispor sempre de uma salvaguarda (backup), nós deixávamos o computador central passar a noite transferindo as modificações introduzidas durante o dia para um segundo aparelho.

O resultado saia em algum suporte arcaico, acho que era fita magnética, não me lembro bem. Como precaução suplementar, uma cópia desse suporte era sempre armazenada em outro imóvel (em português: off site). Era pra cobrir a eventualidade de um incêndio.

Hoje, quatro décadas depois daqueles tempos pioneiros, ninguém me fará acreditar que o Ministério da Saúde do Brasil, com sua gigantesca estrutura, não disponha de salvaguarda (=backup) diária. Talvez até faça isso em permanência, avanço técnico que imagino ser hoje possível. O resultado tanto pode estar sendo armazenado nalguma nuvem como pode se esconder dentro de um velho cofre, encafuado em algum subterrâneo do Planalto Central.

Isso dito, tenho dificuldade em entender exatamente o que aconteceu estes dias. Não sou adepto de teorias complotistas, mas essa história está me parecendo muito estranha. Primeiro, anunciam que foram assaltados, que ladrões raptaram os dados, que vão ter de pagar resgate, que o sistema (inteiro) está indisponível. Dois dias depois, revelam que “encontraram” os dados e que o sistema voltou a funcionar. E não se falou mais em resgate. É vida que segue, desculpem a nossa falha.

Mas, afinal, o que é que aconteceu? Será que ainda estamos pagando o preço da gestão Pesadello? Se algum leitor mais enfronhado puder esclarecer, que mande, por favor, uma cartinha para a Redação. Pode ser manuscrita. Agradeço desde já.

Um pensamento sobre “Dados pirateados

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