Nas asas da Panair

José Horta Manzano

Estava revendo velhas fotografias da Seleção Brasileira de Futebol, que foi à Suécia em 1958 e trouxe a Taça do Mundo – um frisson, por ser a primeira vez.

1958: a Seleção vitoriosa de volta da Suécia

Reparei que, na volta, a delegação desembarcou de um avião da Panair do Brasil. Imaginei que tivessem viajado com aquela companhia somente no último trecho. É engano, como veremos a seguir.

Para os mais jovens, pode parecer natural que as aéreas brasileiras só pousem em meia dúzia de destinos da Europa e dos EUA. Pois saibam que, no passado, não era assim. A Panair do Brasil primeiro, seguida pela Varig e até pela Vasp, Transbrasil e Cruzeiro, eram ambiciosas.

Já nos anos 1940, a Panair mantinha voos regulares não só para os EUA e os tradicionais aeroportos europeus (Portugal, Espanha, Reino Unido, Alemanha, Suíça, Itália), como também para o Líbano, o Egito e a Turquia. No final dos anos 1960, a Varig abriu a rota Brasil-Japão, uma façanha.

De lá pra cá, a coisa só fez decair. Uma a uma, as empresas tradicionais foram desaparecendo. Os sucessivos governos não se deram conta de que uma companhia aérea é excelente cartão de visitas. Passa a ideia de país civilizado, poderoso, independente.

Não me considero estatizante. No entanto, nos momentos de crise, acho que é obrigação do Estado abrir o cofre para salvar as joias da coroa. Não conheço a história de cada uma delas, mas tenho a impressão de que, quando precisaram, as empresas aéreas brasileiras não receberam a ajuda que lhes fazia falta.

O resultado é que um país do tamanho do nosso tornou-se anão no campo das empresas aéreas. Os número de destinos internacionais servidos hoje pelas três ou quatro empresas brasileiras não rivaliza com a situação de 60 anos atrás. Isso é nada quando comparado ao mapa de rotas das grandes empresas mundiais.

Estas últimas semanas, até vacinas importadas foram transportadas por aviões de companhias estrangeiras. Ninguém prestou muita atenção. Quanto a mim, fiquei constrangido.

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