José Horta Manzano
A hierarquização de funções é forte característica das Forças Armadas. E todo militar respeita a hierarquia. Quanto mais elevado estiver colocado na escala hierárquica, mais o fardado será sensível a qualquer quebra do respeito que o menos graduado deve aos que têm mais galões.
Na lógica militar, o inferior tem de respeitar o superior. Eis por que, na hora H, negaram apoio ao ministro Mandetta: entenderam que, ao afrontar o presidente, ele havia faltado com o respeito ao superior, ferindo assim os valores da hierarquia. Que o chefe esteja certo ou errado, pouco importa – o inferior tem de seguir as diretivas; se não estiver contente, que se vá.
A cada dia fica mais evidente que doutor Bolsonaro sonha em se apoiar nos militares para implantar uma ditadura da qual seria ele, naturalmente, o chefe maior. É urgente explicar a ele que, se os generais o respeitam hoje, não é pelo grau militar, mas porque foi eleito democraticamente, direitinho como manda a lei. Como presidente, é ele o chefe das Forças Armadas. Se, por hipótese, uma ditadura fosse implantada, a ordem democrática deixaria de valer e as cartas seriam redistribuídas.
No exato momento em que essa eventualidade tenebrosa ocorresse, Bolsonaro perderia a condição de eleito e retrogradaria à patente que tinha ao deixar o Exército. Aferrados à hierarquia, generais de quatro estrelas dificilmente se deixariam dirigir por um capitão da reserva que terá perdido o respaldo do voto popular. Portanto, se ditadura houvesse, seria sem o doutor.
Para azar nosso, o déficit de inteligência que acomete o capitão não lhe permite entender essa lógica. Vai daí, o homem continua clamando pela ditadura. Coisa de louco.
Oxalá seu raciocínio esteja correto. Ontem lembrei muito de você quando Antonio Prata, filho do igualmente escritor Mário Prata, foi entrevistado num programa da TV Cultura: a única diferença entre a avaliação que ele faz de Bolsonaro e a sua é que ele emprega livremente o termo “burro” e não “déficit intelectual”. Como você, ele não acredita que se trata de estratégia as muitas fanfarronices e recuos que o capitão adora cometer.
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O artigo que mandei hoje para publicação sábado no Correio Braziliense vai no mesmo sentido; aguarde.
O programa da tevê Cultura, não deu pra ver. De televisão brasileira, por aqui, só se consegue pegar aquela dos ‘bispos’.
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Cruz credo! Acho que deve ser fácil conseguir localizar uma cópia do programa Provocações no You Tube.
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