Sanção econômica

José Horta Manzano

Antigamente, a gente dizia bloqueio ou embargo. Hoje, a expressão é mais sexy: ‘sanções econômicas internacionais’. Trocado em miúdos, dá na mesma: é chantagem que não diz seu nome. Manda quem pode; quem não pode, obedece. Quando um país não se comporta como manda o figurino, está se arriscando a sofrer sanções econômicas, que durarão enquanto o malcomportado não se emendar.

O mundo se acostumou a ver esse tipo de arma ser sacada principalmente por razões políticas. É o caso de Cuba, que está sob embargo americano há quase sessenta anos. Coreia do Norte e Irã também estão na berlinda, só que por outra razão: a comunidade internacional não quer que eles continuem fabricando as armas nucleares que eles insistem em desenvolver.

A Rússia é outra que enfrenta sanções por se ter apoderado da Crimeia. O território anexado por Moscou é uma península populada por russos, que foi tradicionalmente russa por séculos. Aquela terra só se tornou ucraniana nos anos 1950, quando o líder soviético Kruchev – um ucraniano – a entregou de mão beijada à Ucrânia.

Todos esses países cometeram algum pecado que a sociedade não está disposta a aceitar. Sanção econômica é medida vistosa, de efeito psicológico garantido, mas de pouca eficácia na resolução dos problemas. Haja vista a gerontoditadura cubana que, apesar de mais de meio século de embargo, continua de pé. O mesmo se pode dizer do Irã dos aiatolás e da Coreia do Norte. Da Rússia, então, nem se fala. Sanção costuma doer no bolso, mas não é garantia de acabar com os males que pretende combater.

Noruega: criação de salmão

Um grande fabricante de calçados, dono de marcas como Timberland e outras, anunciou a suspensão de compra de couro brasileiro. A regra permanecerá em vigor até que haja razoável certeza de que o couro utilizado não está contribuindo para o agravamento do dano ambiental ao país. É notícia da pesada! O comunicado da empresa abalou ânimos em Brasília e chegou ao Planalto. A partir daí, não está claro o que aconteceu, o que se sabe é que o anúncio de suspensão foi… suspenso. Algo do tipo ‘desculpem a nossa falha’.

Sente-se que, por detrás, pressão forte há de ter sido exercida. Daí o recuo do fabricante de calçados. Mas deixe estar que o problema continua a se alastrar. Por sua vez, o maior produtor mundial de salmão, uma firma norueguesa, fez uma ameaça. Anunciou que cogita suspender compra de soja do Brasil. Sabendo que esse produto é amplamente utilizado nas ‘fazendas’ de criação de salmão, a suspensão de compra periga fazer estrago grande. Como no caso da Timberland, o reclamo da norueguesa liga-se ao desleixo do Brasil com a preservação da natureza.

Se doutor Bolsonaro persistir em ofender, insultar e dar trombada em líderes mundiais e, ainda por cima, a se lixar para a preservação ambiental, é provável que, dentro de muito pouco tempo, o Brasil se torne um grande Irã, sancionado economicamente pelos compradores mais importantes. A perda pode ser duradoura: quando um cliente deixa de comprar nossos produtos e vai se abastecer em outra fonte, surge o risco de ele nunca mais voltar.

Se o distinto leitor tem o número de telefone de doutor Bolsonaro, seu dever patriótico é alertá-lo do perigo.

O Brasil à beira de sofrer sanções econômicas! Quem diria…

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