Mayday

José Horta Manzano

Você sabia?

Roda pela internet a gravação do afligente diálogo travado entre a torre de controle do aeroporto de Medellín e o piloto do avião que levava a equipe do Chapecoense. O diálogo é tão angustiante que pulei uns trechos e preferi não ouvir de novo.

O piloto há de ter pronunciado, três vezes seguidas, a expressão Mayday. É anúncio reconhecido internacionalmente como pedido de socorro urgente, sinal de emergência máxima, a ser utilizado exclusivamente em situação de perigo gravíssimo e iminente. Se o piloto chegou a pronunciar a frase abre-alas, terá sido tarde demais, quando não havia mais o que fazer.

aviao-17Nem todos conhecem a origem da estranha expressão. De onde vem? Que significa na origem? Em inglês, traduzindo ao pé da letra, dá «dia de maio», conjunto de palavras sem sentido.

Mayday é aproximação fonética, pelos cânones da língua inglesa, de expressão francesa. O original é: «Venez m’aider» ‒ venham me ajudar. Para simplificar o pedido de socorro, ficou combinado truncar a frase e dizer somente «m’aider», que soa «mayday» em inglês. Portanto, Mayday é «me ajude». Ou «ajude-me», vai do gosto do freguês.

Se a expressão francesa fosse adaptada a nossa fonética, ficaria: «medê». Dado que, em inglês, os sons vocálicos são quase todos ditongados, deu «mayday». Pouco importa o sotaque, o importante é que todos os profissionais ligados à aeronáutica conheçam o desesperado pedido de socorro. Na aviação, pilotos, controladores, tripulação e todos os outros sabem que, uma vez irradiado, esse código é pra ser levado a sério. De verdade.

Mayday não é a única expressão francesa usada pra pedir ajuda na navegação marítima e aérea. «Pan-pan» é outra, derivada do francês «panne-panne». Como fica evidente, informa que há pane a bordo. Tem menos força que Mayday. Pode indicar, por exemplo, que um passageiro está passando mal e precisa de assistência médica. «Pan-pan» também tem de ser pronunciada três vezes. É seguida obrigatoriamente de explicação.

aviao-18Há outros chamados decalcados da língua francesa. Por exemplo, o surpreendente «Seelonce», transcrição de «Silence», um pedido para que outros usuários se abstenham de utilizar a mesma frequência. Um pedido de emergência absoluta pode ser anunciado como «Seelonce Mayday». Em seguida, para informar que a frequência está de novo liberada, o código é «Seelonce Feenee», transcrição inglesa de «Silence fini» ‒ acabou o silêncio.

Como é possível que subsistam expressões francesas num universo ultradominado pelo inglês? É que não foram introduzidas hoje. Vêm de um tempo em que a aeronáutica estava mais desenvolvida na França do que em outros países.

Blá-blá-blá ‒ 2

José Horta Manzano

Chamada da Folha de São Paulo, 1° dez° 2016

Chamada da Folha de São Paulo, 1° dez° 2016

«Prophète de malheur» ‒ profeta de infelicidade, dizem os franceses quando alguém se põe a predizer acontecimentos funestos. Sua Excelência o ministro Barbosa, que já presidiu o STF e é poliglota, deve conhecer a expressão.

Perdeu excelente ocasião de ficar calado. O homem já fez o que devia fazer, já deu sua contribuição. Foi-se embora porque quis, era direito seu. Agora, chega. Se quiser dizer algo de construtivo, que o faça. Para bancar o urubu, não precisamos de ninguém.

O atual governo federal está longe de ser o melhor que já tivemos, mas… é o que temos. Mais vale evitar sabotá-lo.

Blá-blá-blá ‒ 1

José Horta Manzano

Chamada do Estadão, 1° dez° 2016

Chamada do Estadão, 1° dez° 2016

Tem gente que melhor faria se nada dissesse. Doutora dilma, lembram-se dela?, é mestre em dizer besteira. Ainda bem que hoje, destituída, sua voz soa como pesadelo distante, inútil e sem efeito.

Mais uma vez, a doutora dá prova de que desconhece a Constituição. Talvez nem saiba que existe. Toda ação política que a contrariar pessoalmente continuará sendo tratada como “golpe”.

Sei não, cada um se comporta como quer. Se eu tivesse passado pelo vexame pelo qual ela passou ao ser despedida do cargo por ineficiência, desapareceria de circulação. Usaria os bilhões que seus companheiros roubaram (e que, necessariamente, estão escondidos em algum lugar) e me mudaria para uma ilha do outro lado do planeta. De mala e cuia.