Sem mágoas

José Horta Manzano

Você sabia?

Futebol 3O IBGE acaba de publicar interessante anuário. Mostra a diversidade de nomes (prenomes) de brasileiros que participaram do Censo Demográfico de 2010. São mais de 130 mil nomes, uma enormidade.

É pena o instituto não ter compilado todos os nomes numa lista geral. Para conhecer a frequência, precisa pesquisar um por um. Outra imperfeição é o fato de diferentes grafias do mesmo nome serem computadas separadamente. Assim, Luís e Luiz são contados como nomes diferentes. O mesmo acontece com as duplas Tiago/Thiago, Carina/Karina, Paula/Paola. Enfim, nestes tempos estranhos, contentemo-nos com o que temos.

Como já se podia adivinhar, José e Maria continuam ocupando o primeiro lugar. De cada 8 brasileiras, uma se chama Maria. E de cada 17 brasileiros, um se prenomina José.

Uma análise um bocadinho mais atenta mostra resultados interessantes, surpreendentes até. Artistas da moda, futebolistas e personagens políticos influenciam os pais na hora de registrar o rebento.

Infografia Folhapress

Infografia Folhapress

Entre os famosos do espetáculo, Michael Jackson ocupa o trono. Curiosamente, a grafia utilizada não corresponde ao original. Foi estropiada por ouvidos nacionais e se transformou no peculiar «Maicon». Estatisticamente, um ajuntamento de 700 brasileiros contará com pelo menos um Maicon.

Entre os futebolistas, Romário reina. São quase 60 mil brasileiros a portar seu nome. Rivelino, com 5570 homônimos, fica muito pra trás. Pelé é prenome mal-amado. Apenas 112 cidadãos carregavam esse nome em 2010.

Lula caricatura 2aMostrando não guardar rancor nem ressentimento, 76 famílias deram o nome de Messi a um rebento. Os Maradonas são 165. E o Zidane, aquele que tinha nome de xarope e que liquidou as esperanças da Seleção em 1998, tem 827 homônimos no Brasil. Sem mágoas.

O mundo da política também está epelhado na patronímia brasileira. Getúlio e Jânio marcaram época. Ainda hoje, há quase 50 mil cidadãos com o nome de um dos dois. Sobram 831 Adhemar, provável relíquia do tempo daquele que «roubava mas fazia». (Hoje, rouba-se sem fazer.)

Até Clinton serviu de modelo: 557 conterrâneos levam seu nome. Embora pareça incrível, o Censo conseguiu encontrar 86 Sarney.

O mais decepcionante vem agora. Entre os mais de 200 milhões de brasileiros, o IBGE não conseguiu contar mais que 231 Lula. À evidência, nossos compatriotas não dão mostras de simpatizar com a autoqualificada «viv’alma mais honesta do país».

3 pensamentos sobre “Sem mágoas

  1. Fiquei curiosa para saber da frequência do meu nome depois de ler seu artigo. Descobri que existem apenas 270 pessoas com o mesmo nome no Brasil e só 85 em São Paulo. Como outras grafias são possíveis – e mais frequentes, imagino eu – senti-me um tantinho privilegiada. Bom para desfazer mal entendidos em bancos, delegacias, etc.

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  2. Pingback: José Horta Manzano x Renato Castanhari Jr. = caetanistas escritores! | Caetano de Campos

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