Mãos ao alto!

José Horta Manzano

We shall never surrender!
Winston Churchill

Sir Winston Churchill

Sir Winston Churchill

Você sabia?

Não está claro qual era o termo usado pelos anglos, antes do ano 1000, para designar o fato de entregar os pontos ao final de uma batalha.

Brigas e conflitos sempre houve, tanto lá quanto em qualquer parte do planeta. Portanto, toda contenda deixava um vencedor e um vencido. Como é que o perdedor se entregava? Que dizia?

Linguistas acreditam que era usado o verbo arcaico geldan, com significado próximo de pagar, compensar com dinheiro, servir. Faz sentido. Desde tempos imemoriais, vencedor costuma exigir ressarcimento.

A palavra geldan – reconhecível no alemão atual Geld, com o significado de dinheiro – deixou dois descendentes em inglês: yield e gold. E por que será que perdedores, ao entregar-se, deixaram de usar termos dessa família? Por que é que surrender suplantou yield?

Como tantas outras, a palavra foi trazida pelos normandos, povo do norte da França que conquistou a Inglaterra mil anos atrás. Coisa curiosa: a atual palavra inglesa é resultado de um mal-entendido.

Assalto 1O que vem do estrangeiro sempre tem sabor especial. Se a novidade estiver sendo trazida pelo vencedor, então, o sabor especial será ainda mais acentuado. Considerando que o conquistador era portador de um modo mais civilizado de viver, os ingleses adotaram, sem reclamar, uma cachoeira de palavras – entre elas, as que se usavam no fim de batalhas.

Abandonaram o velho geldan e elegeram o francês se rendre (= render-se). Só que houve chiado na linha. Não se deram conta de que o verbo era reflexivo. A expressão foi incorporada à língua corrente inglesa tal qual era ouvida. Saiu tudo grudado e assim ficou até hoje: surrender.

4 pensamentos sobre “Mãos ao alto!

  1. Curiosíssimo…! Tais elementos culturais não deixam de despertar em mim o velho instinto da analogia metafórica. Sim, pois eu diria que aqui no nosso Brasil temos um grupo dominador que está prestes a ser derrotado em suas velhas tramoias. Esse determinado núcleo do poder central recusa-se a proferir qualquer palavra que lembre o reconhecimento do erro (equivalente ao termo “rendição” do bandido à lei). Muito menos pensaria (tal grupo) no ressarcimento (pagar a penitência) a todo um povo que foi surrupiado. E ainda continuam achando que os nordestinos, quando se expressam no trecho da música “tu me ensinas a fazer renda” (mulher rendeira), estão ainda dispostos ao “se rendre” da consciência que se recusava (até dia desses) a enfrentar esses assaltantes do dinheiro público.

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