Último ATTO

José Horta Manzano

Há quem ainda garanta que é iminente o perigo de «uzamericânu» invadirem a Amazônia a fim de se tornarem os maiores produtores de açaí e de cupuaçu.

Mas tudo tem seu lado bom. Se isso acontecer, o guaraná ― bebida nacional por excelência ― passará a ser importado. Exatamente como uísque escocês puro malte. Quer coisa mais chique?

Já no final dos anos 1980, diante do risco de perder o controle de um naco do território nacional, os governantes militares da época decidiram desenvolver o Projeto Sivam. O nome, que soa bem, é feliz abreviação de SIstema de Vigilância da AMazônia.

A intenção era instalar uma teia de radares para monitorar a região. Um problema barrava a estrada, entretanto: a tecnologia necessária não estava disponível no Brasil.

O Planalto foi obrigado a seguir o rumo inevitável: para se prevenir contra futuras invasões, solicitaram ajuda… ao pretenso futuro invasor. Encomenda foi passada a uma empresa dos EUA. Depois de os militares terem sido mandados de volta à caserna, os sucessivos governos federais cuidaram de levar adiante o programa.

Assim mesmo, ainda há quem garanta que a ameaça persiste. Asseguram que «uzgríngu» estão à beira de nos arrancar um naco do território, justamente aquela região que antigamente ninguém queria. Era até descrita, com certo desdém, como o «inferno verde». Estamos numa democracia ― a cada um é permitido cultivar suas fobias como bem entender.

Atto 1Um outro tipo de monitoramento se tem feito necessário estes últimos anos. As alterações climáticas que se anunciam não são ameaças regionais, mas planetárias. Apesar de continuar encolhendo à vista d’olhos, a região amazônica ainda tem peso considerável no meio ambiente global.

Faz alguns anos, formou-se um consórcio entre agências brasileiras e ― quem adivinha? ― americanas para monitorar o ecossistema amazônico. São várias instituições, algumas entrando com o financiamento e outras, com a tecnologia. A USP e até o Instituto Max Planck, uma espécie de MIT alemão, integram o grupo.

Atto 2Na prática, está em construção uma altíssima torre ― alguns metros mais alta que a Torre Eiffel ― em plena Amazônia brasileira. Deve ficar pronta até o fim do ano. Seu objetivo é coletar dados científicos que, reunidos e analisados, levarão a um entendimento mais amplo da evolução do meio ambiente da floresta tropical.

Só nos resta aplaudir. Com um reparo, porém. O projeto de trinta anos atrás foi nomeado seguindo o acróstico formado pelas palavras em nossa língua (SIstema de Vigilância da AMazônia). O novo empreendimento tomou caminho mais moderno.

A Torre Alta de Observação da Amazônia deveria ser conhecida por TAOA. Ou Taoam, que soa até melhor. Não foi o que decidiram. O projeto tem o nome oficial de ATTO, por Amazonian Tall Tower Observatory.

Fica no ar a sensação de que «uzamericânu» já tomaram conta da região. E ninguém nos avisou.

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