Os brios

José Horta Manzano

Faz sorrir o acesso de brios que acomete o Planalto nestes turbulentos dias em que dona Dilma e sua corte descobriram que espiões ainda existem e… espionam!

Como já escreveu alguém, a maior prova de confiança que um governo poderia dar a Snowden seria acolhê-lo e contratá-lo para trabalhar em seu próprio serviço secreto. Fica aqui, grátis, a sugestão para o governo brasileiro. Nunca se sabe, pode servir. Que tal nomer o gajo para um cargozinho qualquer de subchefia no setor de inteligência do Ministério da Defesa?

Espionagem Crédito: Amorim Cartoons

Espionagem
Crédito: Amorim Cartoons

Segundo artigo do Estadão, dona Dilma quer «incluir na legislação brasileira um dispositivo que permita suspender a operação de empresas que cooperarem com esquemas de espionagem internacionais». Há dois pontos surpreendentes nos anseios da atual presidente de nossa República.

O primeiro é que, por definição, espionagem é assunto que não se anuncia em praça pública. Portanto, para «suspender» ― seja lá o que isso queira dizer ― empresas envolvidas em espionagem, precisa antes saber quais são. Não vai ser fácil. Talvez o melhor seja assistir ao Fantástico todas as semanas. Eles parecem estar mais enfronhados no assunto do que o próprio serviço federal de contraespionagem.

Blá, blá, blá by Mix & Remix

Blá, blá, blá
by Mix & Remix

O segundo ponto bizarro é a diabolização seletiva. Ficam banidos os esquemas de espionagem internacionais, em contraposição ao silêncio em torno de eventuais esquemas de espionagem genuinamente nacionais. Se entendi bem, Procleitonildo da Silva, cidadão brasileiro e residente em território nacional poderá então dedicar-se a espionar fatos e gestos do Planalto sem ser incomodado? Poderá até, desde que não deixe o território nacional, revelar ao grande público eventuais segredos políticos ou militares de que venha a se inteirar?

Vamos, gente, reflexão e bom-senso são como caldo de galinha (sem antibióticos): não hão de fazer mal a ninguém. Como aconselham, com propriedade, os italianos, certe cose non si dicono, si fanno ― certas coisas não se dizem, se fazem.

Em nosso País, desgraçadamente, fala-se muito e faz-se pouco.

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