Naming rights

José Horta Manzano

A Companhia do Metrô de São Paulo tem intenção de propor um suculento espaço publicitário a patrocinadores comerciais. Em clara afronta aos princípios da Lei Cidade Limpa, pretende oferecer a partilha do nome de estações. Com isso, as estações ‘concedidas’ terão seu nome complementado com uma marca comercial.

Chamam a isso ‘naming rights’ – expressão que, devido ao nome inglês, parece ser prática internacional corrente. Não é. Este escriba já viajou muito e jamais viu coisa parecida. Imagine o escândalo de modificar o nome de uma estação como Picadilly (Londres) para Picadilly-MacDonald’s. Ou, em Paris, transformar Étoile em Étoile-Adidas.

Como justificativa para a bizarra iniciativa, o Metrô paulistano, blasé, explica que isso já se faz em Bombaim (Índia), em Dubai (Emirados Árabes Unidos), em Kuala Lumpur (Malásia) e em Nova York. Não acredito que uma esquisitice seja menos esquisita só por ter sido posta em prática na Índia ou na Mongólia do Norte.

Isso me faz lembrar aquele político que, apanhado com a mão na cumbuca, retruca: «Ué, mas se todos fazem!». Ora, o crime não é menos criminoso só porque muitos o praticam.

Os paulistanos que se preparem. Se a luminosa ideia for levada a cabo, a Estação Santana poderá virar Santana-Coca-Cola. Haverá ainda, quem sabe, Alto do Ipiranga-Alibaba, Tatuapé-Facebook ou Paulista-Consolação-Google. Vai ficar chique que só, reconheça.

Pra mim, isso soa como atentado ao patrimônio coletivo. Transporte urbano é serviço público. Antes de ser público, é serviço – fato que não parece ter ocorrido às mentes privilegiadas dos que tiveram essa ideia.

Já é bastante complicado apanhar metrô, com escadas que não têm fim, ajuntamento de gente transpirada e apressada, calor e barulho. Não é boa ideia aglutinar o nome das estações ao de marcas comerciais. Complica o panorama. Há outras maneiras de obter patrocínio comercial sem desfigurar o nome de bens públicos. Que os luminares ponham a cachola pra trabalhar e descubram.

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